Viagens Mais ativos e interessados em experiências autênticas, brasileiros acima dos 60 anos impulsionam o setor dentro e fora da alta temporada
FOTO: Vagner Aquino/DGABC

O turismo voltado ao público com mais de 60 anos vive um momento de transformação no Brasil. Mais ativos, independentes e interessados em experiências autênticas, esses viajantes têm movimentado o setor dentro e fora da alta temporada, impulsionando destinos culturais, gastronômicos e de bem-estar. A chamada geração 60+ também passou a enxergar as viagens como parte da qualidade de vida e não apenas como lazer.
De acordo com o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2026 os idosos representam 16,6% da população. Isso, a princípio, equivale a cerca de 35,3 milhões de pessoas com mais de seis décadas de vida em todo o território nacional.
"O turista 60+ de hoje está muito distante do estereótipo da 'terceira idade' que o mercado costumava enxergar. É um público mais ativo, informado e interessado em experiências com significado", afirma Kaká Marinho, especialista em relações públicas, marketing de experiência e turismo. Segundo ela, esse perfil valoriza conforto e segurança, mas busca, cada vez mais, autenticidade, gastronomia, bem-estar e conexão emocional com os destinos.
A tendência acompanha mudanças demográficas e comportamentais. Com maior expectativa de vida, mais autonomia e flexibilidade de agenda, muitos brasileiros acima dos 60 anos passaram a investir em viagens ao longo do ano, ajudando a reduzir a sazonalidade do turismo. "Hoje, viajar deixou de ser apenas lazer e passou a ser também qualidade de vida, pertencimento e construção de memória", diz Kaká.
Mais investimento
Esse público também costuma permanecer mais tempo nos destinos e consumir serviços com mais profundidade. O turista 60+ tende a investir em conforto, gastronomia, cultura e serviços de qualidade. É um perfil menos impulsivo e mais conectado à experiência como um todo.
Os cruzeiros seguem entre as preferências dessa faixa etária, especialmente pela praticidade e estrutura oferecidas. Mas cresce o interesse por roteiros mais personalizados, com foco em experiências culturais, enoturismo, gastronomia, natureza e pequenas cidades. Destinos internacionais como Itália, Portugal e França continuam em alta entre os brasileiros 60+, sobretudo em viagens mais lentas e sensoriais.
Além do impacto econômico, especialistas destacam os benefícios emocionais e cognitivos das viagens na maturidade. Para o psiquiatra e psicogeriatra Dr. Gustavo Omena, viajar pode contribuir diretamente para a saúde mental da população idosa. "Quando uma pessoa idosa se permite conhecer lugares novos, ela está estimulando circuitos cerebrais ligados à curiosidade, ao aprendizado e à memória, o que contribui diretamente para a prevenção do declínio cognitivo", afirma.
Segundo Omena, as viagens também ajudam a combater o isolamento social e favorecem conexões afetivas e senso de propósito. "Há um componente emocional profundo: viajar reativa o sentimento de que a vida ainda tem muito a oferecer", completa.
Dicas para o viajante 60+
Os especialistas recomendam que o planejamento seja feito de forma equilibrada, respeitando o ritmo da viagem e evitando roteiros excessivamente corridos. Escolher hospedagens confortáveis, prever intervalos de descanso e priorizar deslocamentos mais práticos fazem diferença na experiência. Confira algumas orientações importantes.
Priorize roteiros com menos deslocamentos;
Escolha hospedagens bem localizadas e confortáveis;
Contrate seguro-viagem e serviços confiáveis;
Evite transformar a viagem em uma "maratona" de atrações;
Reserve tempo para descanso e contemplação;
Aposte em experiências culturais, gastronômicas e de bem-estar;
Tenha atenção a medicamentos de uso contínuo e documentos médicos.
"Planejamento é essencial, mas sem transformar a viagem em uma maratona. Hoje vejo uma valorização muito maior do viajar com intenção: escolher melhor os destinos, respeitar limites e priorizar qualidade em vez de quantidade", conclui Kaká.
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