Diagnósticos Especialista alerta que uso de cigarro e excesso de álcool ao longo dos anos refletem em maior incidência nessa faixa etária
Divulgação/PMSA

No Grande ABC, cinco a cada dez casos de câncer bucal foram diagnosticados em pessoas com 60 anos ou mais. Em 2025, os idosos representaram 106 registros de tumor maligno na região da boca, cerca de 53% do total das 199 ocorrências contabilizadas no ano passado, segundo dados do DataSUS. Representado pela cor vermelha, o mês de maio é marcado pela campanha de conscientização e prevenção.
A doença surge a partir de alterações genéticas nas células que revestem a mucosa oral, o que provoca lesões, feridas ou manchas que não cicatrizam, conforme explicou a oncologista Janine Capobiango.
O câncer bucal engloba dez tipos diferentes de tumores classificados pelo Ministério da Saúde. A doença pode atingir diversas regiões da cavidade oral, como os lábios, língua, gengiva, assoalho da boca (parte abaixo da língua), palato (céu da boca), amígdalas, orofaringe, além das glândulas salivares e da glândula parótida, localizada nas laterais do rosto.
“Embora todos (os tipos) sejam câncer bucal, o comportamento biológico muda. O câncer de língua e o de assoalho (abaixo da língua) são geralmente mais agressivos e têm maior facilidade de disseminação para o pescoço”, disse a médica. A especialista ainda explicou que os grandes vilões para um possível desenvolvimento da doença são o fumo e o consumo excessivo de álcool, além de infecção por HPV (Papilomavírus Humano), exposição solar sem proteção no caso do lábio e má higiene bucal.
Em 2025, São Bernardo liderou o número de casos de câncer bucal entre idosos na região, com 38 registros. Na sequência aparecem São Caetano, com 19 ocorrências, e Santo André, com 18. Diadema contabilizou 14 notificações, enquanto Mauá registrou 13. Já Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra fecharam a lista, com três e um caso, respectivamente.
Os números de 2024 foram ainda mais elevados. Segundo o DataSUS, a região registrou 242 diagnósticos de câncer bucal no total, dos quais 140 ocorreram em moradores com mais de 60 anos.
Segundo a oncologista Janine, a maioria dos casos que ocorrem em idosos é devido ao efeito cumulativo de décadas de exposição aos elementos químicos, como o cigarro. “Além disso, com o envelhecimento, o sistema imunológico torna-se menos eficiente em reparar danos celulares e eliminar células pré-cancerígenas”, relatou.
O câncer na cavidade oral promove múltiplos problemas funcionais e essenciais para a pessoa, como alteração na fala, mastigação e deglutição. Com o decorrer do tempo, a doença também pode se espalhar para os ossos do rosto e para o sistema sanguíneo, alertou a oncologista. PREVENÇÃO Mudança de hábitos é essencial para a prevenção e o tratamento do câncer, conforme ressaltou a médica. Para combater e prevenir o desenvolvimento da doença, as prefeituras da região promovem uma série de ações durante o ano, não só para idosos, mas também para os moradores de diversas faixas etárias.
O Paço de São Bernardo, por exemplo, informou que faz o rastreio mensalmente em atividades desenvolvidas por equipes de Saúde Bucal. “As atividades ocorrem em campanhas, eventos comunitários e grupos educativos, com foco na identificação precoce de lesões suspeitas, orientando a população e encaminhamento para a avaliação e o tratamento”, ressalta.
Os trabalhos contam com grupos antitabagismo, orientações para ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) e programa de saúde bucal para idosos.
Rio Grande da Serra afirmou que desenvolve atividades educativas nas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) Vila Lopes e Santa Tereza, com exames clínicos realizados por dentistas e palestras sobre fatores de risco.
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