Economia Titulo Com sede em Santo André

CVC Corp registra pior resultado para trimestre, com R$ 63 milhões de prejuízo

Balanço entre janeiro e março exibiu números inferiores aos apontados nos últimos seis períodos; especialista cita risco à reputação da empresa

Beatriz Mirelle
28/05/2026 | 09:00
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FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A CVC Corp, com sede em Santo André, registrou entre janeiro e março deste ano o pior resultado trimestral em seis trimestres consecutivos. Depois de ter lucro ajustado de R$ 24 milhões na mesma época de 2025, a companhia chegou a prejuízo líquido ajustado de R$ 63,1 milhões. O EBITDA (Lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado totalizou R$ 93,7 milhões, queda de 10,5% na comparação anual. 

Documento da empresa a que o Diário teve acesso aponta que a dívida líquida saltou R$ 140 milhões em um único trimestre e fechou março deste ano em R$ 241,8 milhões, aumento de 137% sobre o fim de 2025.

As principais justificativas para esse cenário, segundo a empresa, são fatores externos, como o conflito no Oriente Médio; alta do querosene de aviação, que pressionou tarifas e redução de oferta de assentos; e volatilidade cambial, com peso especial na operação argentina. Neste começo de ano, a rede fechou 15 lojas e abriu três, o que reduziu o sistema de 1.408 para 1.396 unidades.

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Em comparação a outros players, que enfrentam as mesmas conjunturas globais, a CVC Corp tem estado em desvantagem. Fontes de mercado estimam que a Decolar, concorrente direto, cresceu 40% neste primeiro trimestre.

O especialista em investimentos e negócios internacionais Beny Fard, sócio da B8 Partners, aponta que investidores podem passar a questionar os fundamentos, a tese de negócio, a real capacidade de execução e a estrutura de governança diante resultados.

“Para a reputação da companhia, o problema é que a cada trimestre frustrante ‘reinicia o relógio’ da confiança. O ‘turnaround’ (processo estratégico de reestruturação de uma empresa em crise) é construído sobre uma sequência de entregas que valida o discurso da gestão”, diz o especialista.

Segundo Beny Fard, mesmo com justificativas legítimas como as questões internacionais, os números são como “ventos contrários”. “Recuperar reputação deixa de ser uma tarefa de relações com investidores e passa a depender de resultados consistentes, provavelmente dois a três trimestres seguidos de melhora operacional clara.” 

Para ele, a dívida líquida e a relação com EBITDA, assim como salto de 137% em um trimestre, acionam alertas em comitês de crédito. “Se a lacuna competitiva for ampliada, o diagnóstico migra de ‘ciclo adverso’ para ‘perda de relevância de plataforma’.”

A CVC Corp usou a instabilidade geopolítica internacional para explicar a demissão de 100 profissionais há duas semanas. A “reestruturação”, como nomeou a empresa, envolveu gerentes, diretores e até vice-presidentes de várias áreas. “Os ajustes alinham a operação às prioridades estratégicas, com foco em simplificação, produtividade e eficiência, sem perder a capacidade de execução”, informou na ocasião. 

Questionada, a CVC informou que “não há previsão de nova reestruturação”.




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