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Inteligência artificial vira debate sobre futuro da advocacia no Grande ABC

Conferência da OAB em São Bernardo discutiu impactos da digitalização no Judiciário e mudanças na rotina de profissionais do Direito

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
29/05/2026 | 14:23
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FOTO: Felipe Delmondes
FOTO: Felipe Delmondes Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O avanço da inteligência artificial no sistema de Justiça e os efeitos da digitalização sobre a advocacia dominaram os debates da Conferência Regional da Advocacia realizada nesta sexta-feira (29), em São Bernardo. O encontro promovido pela OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) São Paulo reuniu advogados, estudantes e representantes do setor jurídico das sete cidades em painéis sobre inovação, gestão e transformação tecnológica no Direito.

Para os organizadores, o Grande ABC foi escolhido para sediar a conferência por concentrar forte atividade jurídica ligada às áreas trabalhista, empresarial e sindical, além de possuir características próprias em relação à capital paulista. Durante o encontro, representantes da OAB também defenderam maior aproximação entre faculdades de Direito e a entidade, diante das transformações no mercado jurídico e da adaptação exigida pelas novas tecnologias.

Presidente da OAB São Paulo, Leonardo Sica afirmou que as mudanças tecnológicas já alteram a forma de atuação da advocacia e devem ampliar discussões sobre relações de trabalho e funcionamento do Judiciário. “Estamos vivendo um momento de mudanças muito velozes. Especialmente quando eu falo de tecnologia, inteligência artificial, tudo isso afeta muito as relações de trabalho, o jeito de trabalhar”, disse.

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Sica também alertou que a entidade acompanha com preocupação o uso de ferramentas automatizadas no sistema de Justiça, especialmente pela falta de transparência sobre a utilização dessas tecnologias. “A gente ainda não sabe o que está sendo feito. Não temos transparência ainda na utilização dos robôs pelo sistema de Justiça”, declarou.

Na avaliação do presidente da OAB São Bernardo, Luiz Ricardo Bertanha, a inteligência artificial já faz parte da rotina dos escritórios e tribunais. Segundo ele, o desafio está em utilizar as ferramentas sem substituir a atuação humana no exercício da advocacia. “A inteligência artificial é apenas uma ferramenta. Ela não é o trabalho do advogado”, afirmou.

Bertanha também destacou que as mudanças tecnológicas têm aproximado diferentes gerações dentro da profissão. Segundo ele, advogados mais jovens chegam ao mercado com maior familiaridade com esses recursos digitais, enquanto profissionais mais experientes mantêm papel importante na prática jurídica cotidiana. “O jovem advogado já sai dominando totalmente a inteligência artificial. Mas a experiência do dia a dia, da audiência e da condução dos processos ainda é fundamental”, disse.





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