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Considerações sobre a arte de escrever

Rodolfo de Souza
30/07/2026 | 09:54
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DGABC Fernandes
Fernandes  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Neste momento, em que a noite se agiganta, penso sobre o que escrever. Cogito as palavras que devo colocar, com capricho, nesta mágica folha que ora se apresenta muito branca e atraente. Alguém, por certo, há de considerar estranha essa minha obsessão por estar sempre de posse de uma caneta ou lápis, pronto a rabiscar alguma coisa a respeito de assunto qualquer.

Inconformado, esse alguém, nada afeito ao mundo das palavras, poderá até fazer indagação, nada pertinente, sobre a utilidade de se empreender viagem por universo tão vasto. Logicamente que me precipito aqui ao comentar sobre a percepção deste sobre a existência desse universo. Por certo que o pensamento superficial não lhe oferece condições para mergulhar tão fundo na questão. 
 
Apesar de tudo, no entanto, é preciso explicar-lhe que há sempre algo a dizer a respeito de tudo o que acontece neste mundo de meu Deus. Há muita indignação neste meu peito, afinal. Toneladas dela a serem jogadas no papel como forma de alívio ou de alerta. Até porque, há muitos acontecimentos na política, na geopolítica e coisa e tal, embora pouca informação esteja ao alcance da população desatenta.
 
No tocante à escrita é preciso deixar claro que há muito do que se admirar nesta vida também, não obstante os acontecimentos que nos enchem de revolta e, constantemente, sabotam nossas ideias e direcionam nossa atenção para o lado obscuro do pensamento humano. 
 
E os fatos sinistros que permeiam nossas vidas acabam por ofuscar o lado mágico dela que faz do ser humano um ser concebido à imagem do criador. Quantos gênios ligados à arte e à ciência deixaram seu legado quando partiram daqui deste plano? Muitos até foram torturados e morreram justamente por causa do seu saber fora do normal. Suas ideias, perigosas por invadir o senso comum, foram tratadas como heresia. Daí a necessidade de seu sacrifício. Até mesmo as bruxas foram queimadas pela inquisição somente porque seus pensamentos não estavam de acordo com os preceitos religiosos da época. Heresia! Pretexto que a igreja usava para tirar do seu caminho qualquer um que abrisse os olhos do povo e o livrasse do medo da batina negra.
 
Mas, enquanto vivemos a era da tecnologia em pleno século XXI, época em que muitas doenças foram erradicadas, que muito se conquistou com relação aos direitos humanos, ainda vemos a humanidade entregue ao pensamento miúdo. Refém do imediatismo das telas, ela tem feito da futilidade a bandeira pela qual empunha sua lança, se distanciando cada vez mais da inteligência refinada que advém, sobretudo, do gosto pelas artes, pelo estudo e pela afinidade com a literatura. 
 
Claro que esse fenômeno não é exclusividade nacional. Mundo afora também há uma proliferação dessas entidades que cultuam a estupidez, dando voz, principalmente, à intolerância nas suas várias facetas. Refiro-me à gente facilmente manipulável, graças a quem esse mundo ainda convive com as mazelas promovidas por uma parcela pequenininha da população que detém todo o dinheiro e, por conseguinte, todo o poder. As guerras são exemplos de como se ajeitam as coisas, visando unicamente o lucro.
 

O mais triste, caro leitor, é ter a consciência da enorme população que defende essa pequena parcela sem ao menos conhecê-la e saber das suas manobras.

Entende agora esse meu anseio por deitar a pena no papel?

DGABC

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