Home Titulo Entrevista da Semana Titulo Entrevista da Semana

Marcos Pereira: ‘Foco estará nas 4 maiores cidades do Grande ABC’

Felipe Delmondes
Especial para o Diário
03/08/2026 | 08:41
Compartilhar notícia
DGABC FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Com as articulações para as eleições de 2028 já começando a ganhar forma, o Republicanos coloca o Grande ABC entre as prioridades de sua estratégia de expansão. O presidente nacional da legenda, deputado federal Marcos Pereira, revela que o partido pretende reforçar seus quadros com novas lideranças políticas da região e destaca como prioritárias as cidades de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Diadema. O parlamentar também analisa o cenário da direita no País, avalia o papel do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e projeta o futuro do Republicanos. 

RAIO X

Nome: Marcos Antonio Pereira

DGABC

Aniversário: 4 de abril

Onde nasceu: Linhares (ES)

Onde mora: São Paulo

Formação: Direito

Um lugar: Própria casa 

Time do coração: Vasco da Gama

Alguém que admira: A esposa Margareth

Um livro: Biblía Sagrada

Uma música: Esse cara sou eu, Roberto Carlos

Um filme: Advogado do Diabo,Taylor Hackford, 1998 

O Republicanos governa ou participa de administrações municipais no Grande ABC. Como o partido pretende ampliar sua presença política na região nos próximos anos?

Tivemos aqui nas sete cidades da região uma coordenação, por muitos anos, que não correspondeu àquilo que esperávamos do ponto de vista de crescimento do partido nas câmaras e nas prefeituras. Acho que, com a mudança da nossa coordenação regional e com o protagonismo do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), tendemos a avançar. Recentemente, Tarcísio filiou o prefeito de São Caetano, Tite Campanella, e temos, com certeza, vistas à próxima eleição municipal, em 2028, outras filiações importantes de vereadores, presidentes de Câmara e prefeitos que, não tenho dúvida, alavancarão o crescimento da sigla nessa região, que é extremamente importante não só para São Paulo, mas para o Brasil todo. 

O sr. citou presidentes de Câmara e prefeitos. Apesar de que deve ser algo para mais perto de 2028, com quais já está conversando? Em quais cidades as conversas estão mais avançadas aqui no Grande ABC?

Para chegar em 2028 precisamos passar agora por 2026. Estamos concentrados neste ano, mas já existem umas conversas bem iniciais, incipientes, feitas pelo presidente estadual, Roberto Carneiro, que é secretário de Governo do governador Tarcísio. Passada a eleição, então, essa página vai virar e vamos nos concentrar nesse projeto de crescimento do partido aqui na região. Vamos conversar com todas as cidades. As sete são muito importantes, mas com foco aqui nas quatro maiores, Santo André, São Bernardo, São Caetano e, diria também, Diadema.

O sr. acredita que a direita brasileira precisa de novas lideranças ou Jair Bolsonaro ainda continua sendo o principal nome do campo conservador, mesmo estando fora da disputa no momento?

Ouvi de uma pessoa que é muito amiga do presidente Lula (PT) que teria reconhecido que o Brasil teve três lideranças populares: Getúlio Vargas, Lula, e Jair Bolsonaro. Então, acho que Bolsonaro é uma liderança importante. Por óbvio, as limitações que ele está tendo por decisão judicial, por estar preso, ainda que domiciliarmente, mas está preso e incomunicável, limitam a sua atuação. Vejo que hoje ele ainda é a principal voz da direita, mas há margem, a meu ver, para o surgimento de novas lideranças nesse campo para o curto e médio prazos. Quando digo curto, estou falando de dois, três anos, e médio, mais umas duas eleições.

O Grande ABC foi historicamente um reduto da esquerda, mas a direita tem ampliado espaço na região nos últimos anos. Na sua avaliação, essa mudança representa uma tendência consolidada ou o cenário ainda está em aberto?

Acho que a direita, desde que virou aquilo que se chamava de cinturão vermelho para cinturão azul, tem avançado muito na região. Olhava agora há pouco o resultado da eleição de 2022 para presidente e governador, especificamente em Santo André, e verifiquei que a diferença no segundo turno do presidente Lula para o (ex) presidente Bolsonaro e do governador Tarcísio para o Fernando Haddad (PT) foi muito pequena. Diria ali na margem de erro. Então, creio que a direita está em consolidação no Grande ABC, com pequena margem de vantagem, mas em um empate técnico.

Como deputado por São Paulo, o sr. acredita que o Grande ABC tem conseguido fazer sua voz ser ouvida em Brasília ou ainda falta uma maior articulação política da região?

Pela grandeza da região, nós temos aqui mais de 2 milhões de eleitores – 2,1 milhões, vocês divulgaram isso recentemente –, acho que tem espaço para melhorar. Talvez tivesse mais relevância no passado, mas sempre há espaço para melhorar, porque, somada, só a região é muito maior em população, economia e PIB (Produto Interno Bruto) do que muitos Estados do Brasil.

O Republicanos mantém uma postura de neutralidade em relação à candidatura do Flávio Bolsonaro? Em sua avaliação foi um erro Tarcísio de Freitas não disputar a Presidência da República?

Não tenho dúvidas de que Tarcísio seria o melhor nome da direita para disputar a Presidência da República. Contudo, é compreensível que ele tenha amplo favoritismo para governar São Paulo por mais quatro anos, sendo este um Estado que representa um terço da riqueza e da economia do Brasil. Se Tarcísio fosse o candidato, não tenho dúvidas de que estaria, no mínimo, sete pontos à frente do Lula, com base em pesquisas de institutos importantes. Não foi essa a escolha do ex-presidente Bolsonaro, sendo compreensível que ele tenha preferido alguém da família em detrimento de uma candidatura talvez mais competitiva. Sobre a decisão do partido para (as eleições de) 2026, a neutralidade ainda não está consolidada, pois faltam consultar oito diretórios estaduais. Não posso revelar o placar aos colegas, pois isso influenciaria a decisão dos estados que ainda vou consultar. Após a conclusão da consulta aos 27 diretórios, teremos um resultado. A previsão é que isso ocorra até esta segunda.

O Congresso tem ampliado o seu protagonismo nos últimos anos. Na sua visão, o equilíbrio entre Legislativo e Executivo está saudável?

A democracia funciona assim: o Legislativo tem a responsabilidade de fiscalizar o Poder Executivo e de aprovar as propostas que são encaminhadas por ele. Praticamente, todas as pautas mais relevantes para o governo atual que foram encaminhadas, acabaram aprovadas. Tem um ou outro tema que não avançou; citaria, por exemplo, o caso do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). O presidente Lula aumentou o IOF por decreto, e o Congresso o derrubou. Infelizmente, aconteceu um fenômeno que temos presenciado mais recentemente no Brasil, que é a judicialização da política, feita pela própria política. Quando se judicializa a política, dá-se margem para que o outro poder, que na democracia tem a palavra final, o Judiciário, tome a decisão e substitua o debate que deveria ser feito e vencido na seara política. Acredito que o Congresso tem o seu papel, o Executivo compreende, e vamos, a cada dia, administrando o que é possível administrar.

O Republicanos hoje ocupa posições importantes no Congresso. Como o sr. enxerga as eleições atuais e como o senhor vê o partido daqui a dez anos?

Assumi a presidência em maio de 2011, quando contávamos com oito deputados federais. O partido havia disputado duas eleições gerais: em 2006 elegemos um deputado federal e três estaduais; em 2010, foram eleitos oito federais e 16 estaduais. Em 2014, sob minha presidência, elegemos 21 deputados federais, seguidos por 30, 40 e 22 nos pleitos posteriores. Neste ano, vamos eleger pelo menos 50 deputados federais e seis senadores. Hoje temos três governadores. O de Tocantins (Wanderlei Barbosa Castro) não disputará a reeleição por estar no segundo mandato; os outros dois, Tarcísio e o do Mato Grosso (Otaviano Pivetta), serão candidatos. Além disso, lideramos em outros estados. Estimamos eleger de cinco a seis governadores e seis senadores. Para 2028, não tenho dúvidas de que o partido crescerá novamente em número de vereadores e prefeitos. Atualmente, temos quase 500 prefeitos e 5.000 vereadores no Brasil. O objetivo é alcançar um protagonismo ainda maior em 2030. Quando assumi, em entrevista a uma revista nacional, afirmei que o Republicanos (então PRB, antes da mudança de nome em 2019) teria, um dia, um presidente da República. Em um horizonte de 10 a 15 anos, teremos ainda mais protagonismo e faremos história no debate político.

O Republicanos chega a 2026 como uma das principais forças do Congresso. Qual é o maior desafio do partido daqui para frente?

É manter esse trabalho de crescimento orgânico. Fazer uma boa bancada de deputados federais, entre 50 e 55, e no Senado. Temos 12 pré-candidatos a senador e acho que devemos eleger em torno de seis. Com a bancada que temos de seis, deveremos ficar em dez, porque dois estão vencendo o mandato. Também temos oito pré-candidatos a governador, dos quais achamos que devemos eleger de cinco a seis. 

Mudando um pouco o tema, o Grande ABC sempre teve um peso muito importante para a indústria brasileira. Como ex-ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, quais políticas o sr. considera essenciais para que a região volte a protagonizar o cenário nacional?

Acho que o Brasil precisa desburocratizar. O nosso modelo de fiscalização do poder público e o tributário, que já vai dar uma melhorada com a reforma tributária, terão uma desburocratização quando você junta cinco impostos e transforma em dois. Porém, ainda tem muita coisa para ser feita. Precisamos modernizar e preparar os nossos trabalhadores, o sistema trabalhista, porque temos agora inteligência artificial e a indústria 4.0. O Brasil precisa estar preparado para esse novo momento, a fim de que não perca competitividade e, obviamente, rever também a questão da carga tributária. A reforma tributária também deveria ter reduzido a carga tributária, o que, infelizmente, não acontecerá. 

LEIA MAIS:

'A presença dos consórcios faz toda a diferença’




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;