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Cardiologista explica o que acontece quando assistimos filmes de terror

Especialista detalha por que cenas de suspense colocam o organismo em estado de alerta, mesmo quando sabemos que tudo acontece apenas na tela

04/08/2026 | 15:20
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FOTO: Divulgação Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 Pennywise ainda nem apareceu. A câmera percorre lentamente um corredor escuro, a trilha sonora diminui e o silêncio parece durar mais do que deveria. Mesmo sabendo que está sentado no sofá e que tudo faz parte de um filme, o coração acelera, a respiração muda e as mãos ficam tensas esperando o susto.

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A cena poderia ser essa do famoso palhaço de IT - A Coisa ou de qualquer outro clássico do terror. O que muda pouco é a reação do organismo. Antes mesmo de o susto acontecer, o cérebro já começa a preparar o corpo para enfrentar uma ameaça que, racionalmente, ele sabe que não existe.
 
Segundo o cardiologista Gustavo Lenci, esse mecanismo faz parte da chamada resposta de "luta ou fuga", responsável por preparar o organismo para reagir rapidamente diante de uma situação de perigo.
 
"Quando assistimos a um filme de suspense ou terror, o organismo faz uma descarga de adrenalina. É um reflexo natural do corpo. Essa resposta pode acelerar temporariamente os batimentos cardíacos e aumentar o estado de alerta, mas não representa um risco para o coração. Não é um estresse intenso e prolongado capaz de provocar um problema cardíaco em pessoas saudáveis", explica.
 
Essa descarga de adrenalina provoca uma série de mudanças quase imediatas no organismo. Os batimentos cardíacos aumentam, a respiração fica mais rápida, os músculos se contraem e a atenção se concentra totalmente na cena. É uma reação automática construída ao longo da evolução humana para aumentar as chances de sobrevivência diante de situações consideradas ameaçadoras.
 
Embora hoje o "perigo" possa ser apenas um palhaço assustador surgindo na televisão ou uma porta rangendo em um filme de suspense, o cérebro continua utilizando o mesmo mecanismo ancestral de proteção.
 
Afinal, filmes de terror fazem mal para o coração?
 
Apesar da sensação intensa, a resposta costuma tranquilizar quem gosta do gênero.
 
"Quem gosta de filmes de terror pode assistir sem preocupação. O máximo que costuma acontecer é uma aceleração passageira dos batimentos cardíacos durante algumas cenas. Logo depois, o organismo retorna ao normal", afirma Lenci.
 
O especialista lembra que existe uma condição conhecida como Síndrome de Takotsubo, popularmente chamada de síndrome do coração partido, que provoca alterações temporárias no funcionamento do coração após impactos emocionais extremamente intensos. "O coração partido costuma estar relacionado a acontecimentos marcantes da vida, como a perda de um familiar, uma tragédia ou até uma alegria muito intensa. Eu nunca vi relatos desse problema provocado simplesmente por assistir a um filme de suspense ou terror", esclarece.
 
O medo também pode ser divertido
 
Curiosamente, é justamente essa mistura entre tensão e segurança que explica o fascínio pelos filmes de terror. O cérebro entende que o ambiente é seguro, mas permite que o corpo experimente pequenas doses de adrenalina sem que exista um risco real. Para muitas pessoas, essa combinação transforma o medo em entretenimento.
 
Quem quiser colocar essa teoria à prova encontra diversos títulos do gênero na Watch TV, hub de conteúdo que reúne os principais streamings em uma única plataforma. Entre eles estão IT - A Coisa e IT: Capítulo 2, disponíveis no Universal+, o suspense brasileiro 5 Tipos de Medo, no Telecine, e Maldição da Múmia, disponível pela HBO Max.
 
No fim das contas, o cérebro até sabe que Pennywise não pode atravessar a tela da televisão. Mas, por alguns segundos, o coração prefere não correr esse risco.

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