A chegada à Vila Assunção. O Hospital Cristóvão da Gama. Nasce um repórter. Faz “frilas” no Diário. Atua com o mestre Elifas. Torna-se escritor. E cronista em Pernambuco.
Suas crônicas correm o mundo, perpetuam-se numa revista chamada ‘Mirada Janela’, dirigida por Taciana Oliveira, criadora da @miradajanela, e agora vão virar livro
FOTO: Capa - Marina Gurgel

“Na amizade a que me refiro, as almas entrosam-se e se confundem numa única alma, tão unidas uma à outra que não se distinguem, não se lhes percebendo sequer a linha de demarcação. Se insistirem para que eu diga por que o amava, sinto que não o saberia expressar senão respondendo: porque era ele, porque era eu”.
Michel de Montaigne
Filósofo francês (1533-1592)
Agora em julho, no dia 30, tivemos o Dia Internacional da Amizade, e no dia 20, o Dia do Amigo. E como você havia perguntado sobre o título do meu livro ("Porque era ele, porque era eu e outras quase histórias"), deixo a citação de Montaigne, do seu livro "Ensaios", de onde tirei o título.
Luiz Henrique Gurgel
Jornalista e escritor
Memória tá ficando chique, abrindo esta edição com a citação de Montaigne. Devemos isso ao Luiz Henrique Gurgel, jornalista e escritor, raízes andreenses, nosso entrevistado no programa “Memória na TV” do Diário, onde fala dos seus livros, dos ‘cronicontos’, da vida de escritor. Confiram nas plataformas do Diário. Hoje publicamos memórias condensadas do Gurgel, as que não estão na entrevista da TV ou que foram publicadas em qualquer outra plataforma. Como diz nosso interlocutor, “algumas informações sobre o que andei fazendo nessa vida”. Escreve bem, o amigo Gurgel. E ele ama Santo André (cidade e clube) e o Grande ABC. Paixões que se completam Texto: Luiz Carlos Gurgel Sou nascido e criado no "Principado da Vila Assunção". Aliás, permita contar uma curiosidade. Meu bisavô, Primo Rossi, era o dono do terreno que virou o Hospital Christóvão da Gama. Ele veio para Santo André em 1944 e comprou aquela área onde se instalou com a família. Vinte e dois anos depois, eu nasci exatamente naquele hospital. Sou fissurado pela história do nosso Grande ABC. O JORNALISTA – Vieram as fases dos freelas que fiz para o Diário, (re)descobrindo Adoniran Barbosa e o samba-maxixe que ele compôs em Santo André falando sobre a banda do Clube dos Alemães. Mais à frente fui trabalhar com o queridíssimo Elifas Andreato para colaborar na série em fascículos que ele ia começar a produzir para a Editora Globo chamada “História do Samba”. Foram quase dois anos (de 1997 até meados de 1999, só nessa série, depois fiquei com ele em outros tantos projetos até 2004). Conversei e entrevistei figuras históricas, li inúmeras pesquisas acadêmicas e livros de pesquisadores do gênero e da música brasileira. Aí também pesquisei muito sobre o Adoniran. O ESCRITOR - Numa nova etapa, escrevi dois livros literários, um de contos (amores malfadados de 2020, que também foi lançado em 2023 na Argentina com o nome "amores desgraciados") e outro de "cronicontos", chamado "Porque era ele, porque era eu e outras quase histórias", de 2023). E agora está em preparação meu próximo livro que deve sair até novembro ou dezembro deste ano, uma coletânea de crônicas (sou cronista de uma revista literária de Pernambuco, a “Mirada Janela”, criada pela comunicadora Taciana Oliveira). Também tenho contos e crônicas publicadas em coletâneas. O TORCEDOR - Assim como meu grande amigo Ivan Savioli, sou um torcedor do Ramalhão (aliás, escrevi algumas histórias da nossa torcida em matérias para o Diário), fiz parte da torcida virtual Ramalhonautas. Também fui aluno do Donizeti Raddi (Educação Física, ex-Diário) no Colégio São José, na rua Padre Capra, e dele ganhei a mesma carteirinha que o Ivan também tinha, de sócio mirim (fui a muitos jogos com ela). E eu estava lá no Maracanã na nossa maior conquista em 2004. Foi uma aventura que rendeu crônica, inclusive. NOTA DA MEMÓRIA – Este é o Luiz Carlos Gurgel. Seguem capas de seus livros. Montaigne presente. Belas tiradas. Repertório a ser buscado muitas vezes para o rodapé junto ao santo de cada dia aqui em Memória. PARA LER. Livros de Luiz Carlos Gurgel e a obra-síntese do saudoso Elifas Andreato: o menino do Principado da Vila Assunção retorna ao Diário DIÁRIO HÁ MEIO SÉCULO Terça-feira, 10 de agosto de 1976 – edição 3127 MANCHETE – Controle e padrões dos remédios terão normas brasileiras. INDÚSTRIA – Coferraz, de Santo André, autuada por nove infrações pela Delegacia Regional do Trabalho. Além da unidade da Avenida dos Estados, 5.200, a Coferraz tinha uma segunda fábrica, em São Caetano. FUTEBOL – Pela Primeira Divisão, jogos do domingo (8 de agosto) envolvendo equipes da região. No Jaçatuba, Santo André 4, Taubaté 0; na Capital, Americana 0, o surpreendente Aliança, de São Bernardo, 2. MOTONÁUTICA – Aberto domingo (8 de agosto), em Riacho Grande, o campeonato paulista da modalidade. EM 10 DE AGOSTO DE... 1906 - Professor Evandro Caiaffa Esquivel nasce em Santos. Vereador em São Bernardo, duas vezes prefeito de Diadema. 1926 - Nascia, em Santo André, Evangelina Jordão Luppi. Foi a primeira professora de Santo André a lecionar no Sesi, destacando-se também como modista, benemérita e religiosa. É hoje nome de escola municipal no bairro Santa Terezinha. 1961 - Assembleia Legislativa aprovava projeto do deputado Anacleto Campanella criando um ginásio escolar em Rudge Ramos, São Bernardo. MUNICÍPIOS BRASILEIROS ¦ No Estado de São Paulo, hoje é o aniversário de Castilho. Fundado em 10 de agosto de 1937. Elevado a município em 1954, quando se separa de Andradina. ¦ Pelo Brasil: Conde (Paraíba), Fernando de Noronha (Pernambuco), Goioerê (Paraná), Morro Agudo de Goiás, Penalva (Maranhão) e Santa Rosa (Rio Grande do Sul). HOJE ¦ Dia Internacional do Biodiesel ¦ Dia Internacional da Preguiça (Lazy Day) ¦ Dia Mundial do Leão 10 de agosto
Amiga da Luz (Lumena, Luz). Assassinada no ano 304 dC a mando do imperador romano Diocleciano. Fonte: "Santa Filomena, virgem e mártir", de Attilio Giacomelli, Editora Prelúdio, 1958. A devoção à Santa Filomena foi trazida ao Grande ABC pelo padre Silvio Grecco em 1881, ano da construção de uma capela dedicada à santa. A capela foi erigida na Rua Marechal Deodoro por uma brasileira, Maria das Dores Jesus, nascida em São Bernardo, conforme estudos do historiador Wanderley dos Santos. SÚPLICA Quando me encontrar, me aperte mais do que a saudade”. Luiz Henrique Gurgel Da crônica “O Cheiro” “Porque era ele, porque era eu” (Belo Horizonte, Ed. Caravana, 2023)

Santa Filomena
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