Veja a Palavra do Leitor do 'Diário' deste dia 10 de agosto de 2026

Samu em São Caetano
Paulo Moriassu Hijo-São Caetano
O Brasil é hoje o segundo país do planeta que mais paga juros reais, ficando atrás apenas da Rússia, com gastos estratosféricos em uma guerra insana há mais de quatro anos. O índice de juros reais (taxa Selic menos a inflação), divulgado por agências internacionais, mostra: Rússia paga 9,30% ao ano, Brasil, 9,09%, e nossos vizinhos Colômbia, 6,16%, Argentina, 4,51%, e México, 2,65%. Isso significa que boa parte dos impostos arrecadados é destinada ao pagamento da dívida pública (mais de R$ 1 trilhão por ano), prejudicando investimentos em infraestrutura, segurança, educação, saúde e saneamento básico – onde cerca de 50 milhões de pessoas não possuem rede de esgoto em casa –, além de outros serviços essenciais. Grande parte desse problema é decorrente do descontrole fiscal, com déficits sucessivos ano após ano. O Brasil acumula um endividamento de 80,2% do PIB (Produto Interno Bruto), índice considerado elevadíssimo pelos padrões internacionais. Com taxas de juros nas nuvens, quem mais sofre são os mais pobres, enquanto os mais ricos lucram com aplicações financeiras de baixo risco em vez de investir em produção, onde há maiores incertezas, além da insegurança jurídica instalada. O sistema financeiro, tão criticado pelo governo, agradece de braços abertos. Que a próxima gestão, independentemente de quem seja, assuma a responsabilidade de combater fortemente os gastos excessivos que tanto atravancam o desenvolvimento do País.
Mauri Fontes-Santo André
A PF e o ministro do STF
O conflito entre a PF (Polícia Federal) e o ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal), revela um problema que vai além desse inquérito. Quando investigadores e Judiciário passam a divergir sobre a condução de uma investigação, quem perde é a confiança da sociedade. O cidadão acompanha operações, quebras de sigilo, disputas de competência e sucessivos impasses, mas raramente vê a conclusão dos casos com a mesma intensidade das manchetes que anunciam seu início. Controles institucionais são indispensáveis, mas precisam fortalecer – e não enfraquecer – a credibilidade das instituições. Afinal, a pior porta trancada não é a do processo. É a da confiança do cidadão.
Luciana Lins-Campinas (SP)
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