Quem faz bariátrica pode perder os dentes? Entenda o que pode acontecer
Especialistas explicam como a cirurgia bariátrica pode afetar a saúde bucal
FOTO: Divulgação

Recentemente, veio à tona o caso de uma repórter de TV que perdeu parte dos dentes após se submeter à cirurgia bariátrica. O ocorrido revisitou um alerta importante sobre os cuidados com a saúde bucal em pacientes que passam por esse tipo de procedimento. O presidente da CROSP (Câmara Técnica de Dentística do Conselho Regional de Odontologia de São Paulo), Dr. Sergio Brossi Botta, explica que a cirurgia bariátrica promove importantes alterações anatômicas e fisiológicas que podem repercutir diretamente na saúde bucal. As alterações decorrem principalmente da redução da absorção de nutrientes, das mudanças nos hábitos alimentares e do aumento da frequência de episódios de refluxo gastroesofágico e vômitos, principalmente nos primeiros meses após o procedimento.
Impactos
O especialista afirma que a Dentística desempenha um papel restaurador central na reabilitação de dentes comprometidos após a cirurgia bariátrica, atuando em três frentes terapêuticas complementares: remineralização, restauração e reabilitação protética minimamente invasiva.
Nos casos de desgaste leve a moderado, restaurações em resina composta podem reconstruir áreas perdidas, devolver a anatomia dos dentes, reduzir a sensibilidade e restabelecer a função e a estética. Quando há perda mais extensa de estrutura dentária, podem ser indicadas restaurações indiretas, como facetas, onlays ou coroas cerâmicas, desde que exista indicação clínica e adequado controle dos fatores que causam o desgaste, complementa o cirurgião-dentista.
Já no pós-operatório, devem ser realizadas consultas regulares para monitorar erosão dentária, gengivite, perda óssea e gengival, uso de flúor tópico e bochechos remineralizantes, suplementação nutricional supervisionada (cálcio, vitamina D, ferro, B12) e controle de refluxo gástrico, além de acompanhamento multidisciplinar. O presidente da Câmara Técnica de Dentística reforça que o cirurgião-dentista deve instituir um programa de manutenção com aplicações periódicas de flúor, orientação de higiene bucal, controle do consumo de alimentos e bebidas ácidas, manejo do refluxo gastroesofágico em conjunto com a equipe médica e monitoramento contínuo da saúde bucal. Com diagnóstico precoce e tratamento individualizado, é possível restaurar a função mastigatória, a estética e a longevidade dos dentes, prevenindo novas fraturas e a progressão do desgaste dentário. Sobre o CROSP
Atualmente, o CROSP conta com mais de 175 mil profissionais inscritos. Além dos cirurgiões-dentistas, o Conselho também fiscaliza o exercício profissional e a conduta ética dos Técnicos em Prótese Dentária, Técnicos em Saúde Bucal, Auxiliares em Saúde Bucal e Auxiliares em Prótese Dentária.
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