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Em Rio Grande da Serra, 44% do esgoto vão para mananciais sem tratamento

Universalização ainda não tem cronograma e considera apenas a instalação da rede na rua

09/09/2026 | 09:31
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DGABC FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A três anos do prazo anunciado pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) para concluir a universalização da rede de esgoto e cumprir o Marco Legal – que determina que 90% dos resíduos sejam tratados –, em Rio Grande da Serra 44% do esgoto é despejado nos cursos de água do município, que está todo inserido em área de manancial.

De acordo com a Prefeitura, a cidade possui aproximadamente 15 mil residências, das quais apenas 56% estão ligadas à rede de esgoto. Dos 6.600 domicílios que ainda despejam resíduos sem tratamento, que acabam escoando para a Represa Billings, apenas 79 imóveis foram regularizados até o momento, em 21 de agosto, no Jardim Nakamura. A partir dali, nenhuma nova obra foi programada. 
 
A bióloga e professora da USCS (Universidade Municipal de São Caetano) Marta Marcondes destaca que falta clareza no plano de universalização do esgotamento básico. “Os técnicos da Sabesp não explicaram ainda como isso será feito e nem apresentaram um cronograma de ações de curto, médio e longo prazo”, afirma. 
 
A especialista ressalta ainda que a universalização da forma como é executada não garante o fim da contaminação das águas. A Sabesp se responsabiliza pela implantação da rede de esgoto, mas não viabiliza a conexão com os domicílios. O município possui muitas áreas com desníveis, que demandam um custo maior para bombear os resíduos para a rede. 
 
“Uma universalização tem que ter um plano para as áreas periféricas e população de baixa renda para que o esgoto dessas casas seja encaminhado para a rede que está na rua. E temos no Grande ABC muitas áreas de morro que dificultam o acesso. Antes da privatização, a Sabesp tinha um projeto chamado Se Liga na Rede e oferecia suporte. A companhia tem que fazer o processo de retirada deste esgoto, mas agora são muitas questões não respondidas”, enfatiza. 
 
Outra problemática é como será feita a despoluição das águas contaminadas ao longo dos anos. “Como fica em relação ao passado e todo esgoto que já foi para o reservatório? Deveria ser feita uma renaturalização dos rios e córregos, ser pensado um tratamento diferenciado para essas águas, mas onde está isso no projeto da companhia de saneamento?”, questiona a professora da USCS.

ANÁLISE
 
O Laboratório de Análise Ambiental do Projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos) da USCS analisou, a pedido do prefeito de Rio Grande da Serra, Akira Auriani (PSB), a coleta e análise de pontos irregulares de descarte de esgoto. Foram avaliados, em novembro do ano passado, 16 córregos e riachos. 
 

O estudo, conduzido pela bióloga e professora Marta Marcondes e pela biomédica Renata Borges Franchi, concluiu que em todos os pontos analisados o IQA (Índice de Qualidade da Água) é apontado como péssimo. De acordo com o documento, o quadro é crítico e reflete significativos riscos à saúde pública e ao meio ambiente. 

IMPACTOS

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A OMS (Organização Mundial da Saúde) calcula que cada R$ 1 investido no saneamento básico gera economia de R$ 12 na saúde. “Imagina o prejuízo desse esgoto correndo a céu aberto? Isso ocasiona problemas de pele, como dermatites, conjuntivite e doenças respiratórias e do trato digestório, como as diarreicas agudas. É um risco gravíssimo”, aponta.

A bióloga justifica que a população paga várias vezes pelo mesmo serviço, pois a companhia de saneamento recebe as taxas de esgoto e os custos com a saúde são pagos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). “Tudo vem de nossos impostos. Pagamos para a empresa tratar o esgoto, ela não trata, afeta a saúde e a rede pública tem de arcar”, sinaliza Marta. 

Em nota, a Sabesp se pronunciou sobre o ocorrido no município:

"O novo contrato de concessão da Sabesp permitiu antecipar para 2029 a meta de universalização do saneamento e ampliar o atendimento a áreas historicamente não contempladas pela infraestrutura, incluindo núcleos urbanos informais e áreas rurais.

Em Rio Grande da Serra, a expansão da coleta e do tratamento de esgoto está em andamento. Parte do município está localizada em áreas ambientalmente protegidas, onde as obras dependem de regularização e autorizações específicas. Nas áreas viáveis, as intervenções avançam.

No Jardim Nakamura, conhecido como “Buraco do Sapo”, 115 imóveis já foram conectados à rede de esgoto e 79 à rede de água, após cerca de 30 anos sem acesso regular aos serviços.

A ampliação da infraestrutura também contribui para reduzir um passivo ambiental histórico, ao permitir que mais esgoto seja coletado e tratado antes de chegar aos cursos d’água. A Sabesp acompanha a evolução do atendimento com base nos indicadores oficiais e nas metas do contrato, mantendo os investimentos necessários para cumprir a universalização até 2029."


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