Teste: Chevrolet Captiva EV não surpreende, mas agrada (bastante)
SUV médio elétrico chama atenção pelo acabamento, conforto e comportamento equilibrado, no entanto, traz algumas economias difíceis de aceitar
FOTOS: Denis Maciel/DGABC

O Chevrolet Captiva EV nasceu dentro da joint venture SAIC-GM-Wuling, na China, e deriva diretamente do Wuling Starlight S, SUV lançado no mercado chinês em 2024. Para chegar ao Brasil, recebeu identidade visual própria, ajustes de acabamento e uma calibração específica para suspensão, direção e gerenciamento do conjunto elétrico. Seu lançamento por aqui, no fim do ano passado, não causou o furor da primeira geração - importada entre 2008 e 2017 -, mas o carro tem, sim, vários predicados, conforme o Diário pôde constatar após uma semana de avaliação.
Enquanto os modelos desenvolvidos sobre a plataforma Ultium, como Equinox EV e Blazer EV, permanecem posicionados em segmentos superiores, o Captiva EV - de R$ 219.990, com preço promocional de R$ 199.990 - ocupa justamente o espaço de entrada da marca entre os SUVs elétricos. É, também, o segundo modelo da marca montado no Polo Automotivo de Horizonte, no Ceará, inicialmente em regime SKD. Essa estratégia, cabe lembrar, faz parte da nova fase da eletrificação da General Motors no país.
O modelo, de 4,74 metros de comprimento, 1,89 metro de largura e 1,67 m de altura, e motor de 204 cv de potência aposta no espaço, no conforto e em uma condução equilibrada para disputar mercado com uma nova geração de SUVs eletrificados. E, após alguns dias ao volante, dá para cravar que a GM acertou em boa parte da receita.

Do lado de dentro
Por dentro, o Captiva EV agrada bastante. O acabamento é excelente, com materiais sensíveis ao toque (só as maçanetas são de plástico) e uma enorme central multimídia de 15,6 polegadas. Isso, aliás, começou com as chinesas e é difícil ver em marcas tradicionais. Ponto para a Chevrolet. Porém, é inaceitável precisar recorrer a fios para espelhamento do telefone.
Também como de praxe nos chineses, o quadro de instrumentos digital é pequeno. Tem 8,8". E o SUV tem teto solar panorâmico, item que ajuda a criar uma atmosfera mais sofisticada e amplitude de espaço. Isso, aqui, não falta. São vastos 2,80 metros de entre-eixos, o que garante extremo conforto para quem viaja atrás, reforçando a vocação familiar do utilitário.
Na cabine, outro destaque é o isolamento acústico. O silêncio típico de carro elétrico é bem aproveitado pelo Captiva EV, que filtra com competência os ruídos externos e de rodagem. Os bancos são confortáveis, mas não têm massagem, aquecimento ou outros recursos já comuns. E o comando elétrico é só para o motorista.
Na prática
Ao volante, o Captiva EV também foge de alguns estereótipos. A suspensão tem acerto firme, mas sem ser desconfortável. Não é molenga como a de alguns outros SUVs chineses, tampouco dura como a do Captiva da geração anterior. O resultado é um conjunto bem acertado, sem grandes surpresas, mas que transmite segurança em curvas e mantém o conforto no uso cotidiano. A direção acompanha essa proposta e tem peso adequado, enquanto o motor entrega respostas rápidas e progressivas.

De acordo com a ficha técnica da GM, são 31,6 mkgf de torque. Nada tão diferente de concorrentes como Geely EX5 e GAC Aion V, por exemplo. De 0 a 100 km/h, o SUV da Chevrolet acelera em 9,9 segundos. Alimentado por bateria de 60 kWh (com 8 anos de garantia), o modelo rende autonomia de aproximadamente 304 km, segundo o Inmetro.
Ausências
Apesar das qualidades, há economias que incomodam. A mais difícil de justificar é a ausência do tampão do porta-malas. O compartimento tem 403 litros e atende bem à proposta do veículo, mas deixar a bagagem exposta, principalmente em um país violento como o Brasil, não dá - principalmente em um carro nessa faixa de preço. Também fazem falta alguns recursos encontrados em concorrentes, como carregador de celular por indução, por exemplo.

Chamativo
Outro ponto que chama atenção é a identidade. O Captiva EV - mesmo rendendo elogios pelas ruas, principalmente nessa cor das fotos, a Azul Búzios - não parece um Chevrolet, isso é fato. O visual, a cabine e a própria experiência a bordo remetem muito mais à origem chinesa do projeto do que aos modelos tradicionalmente associados à General Motors. Porém, isso não significa que o carro seja ruim. Pelo contrário. Mas quem esperar dele a mesma personalidade de outros GM vendidos no país, ou mesmo alguma herança do modelo antigo, provavelmente não encontrará.
FICHA TÉCNICA
Chevrolet Captiva EV
Motor: elétrico
Potência: 204 cv
Torque: 31,6 mkgf
Tração: dianteira
Capacidade conjunta de baterias: 60 kWh
Comprimento: 4,74 metros
Largura: 1,89 metro
Altura: 1,67 metro
Entre-eixos: 2,80 metros
Porta-malas: 403 litros
Suspensão dianteira: McPherson
Suspensão traseira: Independente
Rodas e pneus: 235/55 R18?
Peso em ordem de marcha: 1.800 kg
0 a 100 km/h: 9,9 segundos
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