A IA ajuda ou atrapalha a aprendizagem? O PISA dá uma pista
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Você aprende a cozinhar apenas vendo alguém preparar uma receita? Alguma coisa aprende, claro. Pode observar a técnica, entender a ordem dos ingredientes, descobrir um tempero novo. Mas, em algum momento, vai precisar pegar a faca, errar o ponto, provar, ajustar e fazer você mesmo. Porque aprender não é apenas receber informação. Exige também fazer, pensar, testar. Com a inteligência artificial acontece algo parecido: ela pode explicar, sugerir, ajudar. Mas, se fizer todo o trabalho por você, o que exatamente você aprendeu?
Talvez, então, a discussão precise avançar do “pode ou não pode usar IA?” para outra pergunta: se a IA pode fazer parte da tarefa, o que a tarefa precisa exigir do aluno? Pensar criticamente, justificar escolhas, avaliar informações, testar soluções, refletir sobre o próprio raciocínio são algumas possibilidades. A IA pode participar desse processo sem tomar o lugar de quem aprende. Observar ensina. Receber ajuda também. O problema é terceirizar a experiência inteira e confundir uma resposta pronta com aprendizagem. A IA pode até entregar a receita. Mas aprender ainda exige colocar a mão na massa.
Renata de Abreu Barbosa, economista e pedagoga
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