Homens representam 83% das mortes por suicídio na região nos primeiros sete meses
Foram 87 casos, sendo 72 vítimas do gênero masculino; hoje é o Dia Mundial da Prevenção
FOTO: Freepik

O Grande ABC registrou, de janeiro a julho deste ano, 87 mortes por suicídio, das quais 72 são vítimas do gênero masculino, ou seja, 83% do total. No mesmo período de 2025, foram 95 casos, sendo 77 homens (81%). Os dados são registrados pela SSP (Secretaria da Segurança Pública).
Nesta quinta-feira (10) é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, data que integra a campanha do Setembro Amarelo com o objetivo de conscientizar sobre a importância do cuidado com a saúde mental. O alerta foi instituído em 2003 pela OMS (Organização Mundial da Saúde) e a IASP (Associação Internacional para a Prevenção ao Suicídio).
Homens morrem mais por suicídio em praticamente todos os países do mundo, de acordo com a psiquiatra Carolina Guedes, integrante da plataforma de atendimento médico INKI. “O dado não quer dizer que eles sofrem mais, mas reflete a dificuldade deles em verbalizar o sofrimento. Existe um modelo de masculinidade que diz que homem não chora, não pede ajuda, não demonstra vulnerabilidade. Esse modelo não é genético. É aprendido. E é transmitido de geração em geração”, justifica.
A psiquiatra observa que os pacientes do gênero masculino chegam ao limite antes de pedir ajuda. “Ele minimiza, aguenta e compensa. Quando finalmente busca cuidado, já está em sofrimento grave há meses ou anos.”
Existe também uma dificuldade específica de nomear o que está sentindo. “Muitos homens não conseguem identificar a depressão como depressão; ela aparece disfarçada de irritabilidade, agressividade, uso de álcool e isolamento. São sinais que o entorno não reconhece como sofrimento psíquico”, explica Carolina.
Além disso, os métodos utilizados por homens para cometer o autoextermínio são mais contundentes, de acordo com o professor de Psicologia da Faculdade Anhanguera São Bernardo, Adriano Roberto Esteves. “De maneira geral, as mulheres apresentam mais tentativas de suicídio, enquanto os homens morrem mais em decorrência delas. Uma das explicações é a utilização, pelos homens, de métodos mais letais e agressivos.”
Esteves destaca que o suicídio é um fenômeno multifatorial, que pode envolver questões emocionais, sociais, financeiras, profissionais, familiares, culturais e de saúde mental. “Em alguns casos, diferentes perdas e frustrações vão se acumulando e a pessoa não encontra recursos emocionais suficientes para lidar com elas. Nesse contexto, findar a vida pode aparecer como uma tentativa de interromper o sofrimento”, diz Esteves.
PREVENÇÃO
É importante observar mudanças na maneira como a pessoa se relaciona com a vida. Alguns pontos de alerta são isolamento, afastamento de pessoas próximas, perda de interesse por atividades de que gostava e diminuição do prazer. Também podem ocorrer comportamentos como desfazer-se de pertences, entregar senhas e documentos ou organizar questões pessoais de maneira incomum.
“Falas como ‘eu queria sumir’, ‘não queria estar aqui’ ou ‘viver está muito difícil’ também precisam ser levadas a sério. Em vez de responder não fale isso, é importante abrir espaço e perguntar: Você quer conversar sobre isso? Posso ajudar você a procurar alguém? A pessoa pode precisar de psicoterapia, atendimento psiquiátrico ou outros recursos da rede de saúde mental”, aponta o professor de Psicologia.
A psicóloga Adriana de Araújo destaca a importância da Campanha Setembro Amarelo ao reforçar a valorização da vida, do autocuidado e do bem-estar. “É importante para reduzir o silêncio e o estigma, mas a conscientização não basta. É necessário garantir que, quando alguém precisar de ajuda, encontre rapidamente profissionais preparados, tratamento e acompanhamento contínuo”, avalia Adriana.
O CVV (Centro de Valorização da Vida) oferece apoio emocional gratuito e prevenção do suicídio 24 horas por dia pelo telefone 188.

Mês é dedicado ao Setembro Amarelo
Engajados na Campanha Setembro Amarelo, os municípios oferecem, ao longo deste mês, palestras, rodas de conversa e atividades de conscientização sobre prevenção ao suicídio e valorização da vida.
Em São Bernardo, o Teatro Cacilda Becker recebe hoje, às 8h, o evento Cuidado que Aproxima, Compromisso de Todos, Vidas que Importam, com palestra e mesa-redonda para profissionais de saúde. Nesta sexta-feira (11), diversas atividades serão realizadas para o público em geral com foco na promoção da saúde mental, das 9h às 15h, no Parque da Juventude.
A programação em Diadema começou no dia 1º e segue até o dia 30, com ações organizadas pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e os CAPs (Centros de Atenção Psicossocial). Nesta quinta-feira (10), a UBS Nogueira terá rodas de conversa às 9h. Amanhã é vez da UBS Jardim Casa Grande.
Rio Grande da Serra também promove hoje palestras gratuitas durante todo o dia, no Fundo Social de Solidariedade (Rua do Progresso, 700 – Jardim Novo Horizonte). Não é necessária inscrição, basta comparecer para participar. O encontro inicia às 9h com um café da manhã e sessão de alongamento.
A primeira palestra terá o tema Cuidado com a Vida e Saúde Mental na Prática, que destacará que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar do corpo, e que ninguém precisa carregar seus pesos sozinho.
A segunda palestra será sobre Prevenção do Suicídio. O objetivo é desmistificar o tema e instrumentalizar a sociedade para lidar com a questão. A apresentação buscará esclarecer que falar abertamente do assunto não estimula o ato. Serão explicados ainda os sinais de alerta que se devem observar em relação a uma pessoa com risco de suicídio.
No período da tarde, o encontro começa às 14h e a programação se repete.
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