É quase Primavera ao sul do Equador, e há mais luz nos corações que habitam o hemisfério.
O homem talvez não perceba a influência da estação, mas o verde novo das folhas aponta para um momento de reflexão e renovação, necessárias para neutralizar o desalento presente nos espíritos e responsável pelo fracasso em muitas etapas pelas quais passa cada indivíduo no decorrer de sua vida.
No mundo há seres, vivos ou não, essenciais para preencher espaços vagos na existência, mas que passam despercebidos diante dos olhos humanos, e essa indiferença é o indicador de que se brutaliza mais e mais a sociedade, com a promessa de retornar aos primórdios de sua história. Destaque para a violência, latente na personalidade das pessoas, da mais simples à mais sofisticada, com várias faces a corromperem seus sentimentos. Ela se apresenta na forma de inveja, quando se torna insuportável a dor de se conviver com o sucesso alheio; rancor, ao guardar a sete chaves uma desfeita para desfrutar a só do seu acre sabor; mágoa normalmente vem acompanhada de muita pena de si próprio; ódio é o produto da multiplicação de uma coisa pela outra; ira pode surgir de uma simples topada e causar danos maiores que uma contusão. E muitas mazelas mais auxiliam no processo que, aos poucos, seca a alma de homens e mulheres, e o reflexo dessa variedade de sensações negativas está estampado até mesmo em seus corpos, deformados pelo tempo e pela insensatez.
O desabrochar das flores em setembro não pode ser visto como mero capricho da Terra, mas sim como uma tentativa de retirar do rosto de toda a gente a cortina de ilusão que apresenta como belo e significativo o que pouco ou nada tem de valor.
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