Tem aumentado consideravelmente nos últimos tempos o número de eventos cancelados no Grande ABC devido a alertas de clima hostil. Reportagem publicada hoje no Diário mostra que foram nove em apenas uma semana. A tendência é que a situação se agrave, dados os efeitos do aquecimento global, o que obriga as autoridades, de todas as esferas administrativas, da União aos municípios, a repensarem os protocolos de segurança para a promoção de atividades para as massas em áreas abertas. Embora tais ocorrências sejam difíceis de prever com antecedência, será preciso buscar mecanismos capazes de preservar vidas – sim, porque é exatamente disso que se trata. Não há espaço para tergiversar.
Caso o fenômeno previsto não se concretize com a intensidade esperada, o cancelamento poderá parecer excessivo; porém, o transtorno será sempre muito menor do que as possíveis consequências de ignorar o alerta. A suspensão contribui para reduzir eventuais demandas sobre equipes de resgate, saúde e segurança na hipótese de as projeções se confirmarem. Assim, tais medidas não devem ser interpretadas como alarmismo. Pelo contrário. Trata-se da aplicação do princípio da precaução. Diante de ameaça grave e plausível, a proteção da vida precisa prevalecer sobre conveniências administrativas, econômicas ou recreativas. Agendas podem ser remarcadas, mas danos físicos e perdas humanas, não.
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