Setembro Amarelo. O mundo dedica o mês inteiro às campanhas de prevenção ao suicídio e à conscientização sobre a importância da saúde mental. Implementado no País em 2015 pela Associação Brasileira de Psiquiatria em parceria com o Conselho Federal de Medicina e o CVV (Centro de Valorização da Vida), o movimento busca quebrar tabus, reduzir o estigma em torno dos transtornos psíquicos e incentivar a busca por ajuda. A iniciativa é muito bem-vinda. De janeiro a julho deste ano, segundo dados da Secretaria de Estado da Segurança Pública, 87 moradores da região colocaram fim à própria vida – 72 deles, o equivalente a 83% do total, homens. Os números são epidêmicos e merecem atenção.
Não é fácil abordar o tema. Trata-se, conforme definição do próprio Ministério da Saúde, de fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Em sua política editorial, para evitar o chamado efeito Werther, que é o aumento de casos por imitação após a divulgação de um caso pela mídia, o Diário não noticia episódios de suicídio – com raríssimas exceções, como quando cometido por pessoa pública. Todavia, o jornal não se exime de abordar o assunto em suas páginas por entender que é uma questão de saúde pública e que há tratamento para evitar o crescimento das estatísticas.
Graças à discussão, o tema deixou, aos poucos, de ser tabu e o Brasil desenvolveu, assim, rede razoável de proteção aos pacientes suicidas. Atualmente, pode-se buscar ajuda em Caps (Centro de Atenção Psicossocial), UBSs (Unidades Básicas de Saúde) e CVV – por meio do telefone 188, gratuito. É cientificamente comprovado que a maior parte das tentativas de pôr fim à própria vida pode ser evitada. Por isso, o poder público e a sociedade civil organizada do Grande ABC devem ampliar os esforços para fortalecer a teia de cuidados capaz de reduzir os casos daquilo que o escritor e filósofo Albert Camus (1913-1960) considerava o único problema filosófico realmente sério, o suicídio.
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