O Brasil já não pode tratar o futuro do emprego como assunto distante. O surgimento da IA (Inteligência Artificial), das plataformas de aplicativos, da automação e dos novos negócios altera a dinâmica trabalhista. Parte da população economicamente ativa questiona carteira assinada, ponto, horário fixo e presença diária no escritório.
Isso não significa desprezo por férias, Previdência e FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço). Pode-se concluir que proteção social segue desejada; rigidez nos contratos, nem sempre.
Pesquisa recente mostrou que 36,3% dos brasileiros ainda preferem preencher vaga formal, porém horário flexível, plano de carreira e trabalho remoto também pesam nas escolhas. Números revelam mudança drástica na expectativa dos trabalhadores do País.
Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 1,7 milhão de pessoas atuavam por aplicativos em 2024, alta de 25,4% ante 2022. Entre quem trabalha de casa ao menos um dia, estudo encontrou menos de 30% interessados no regime totalmente presencial; já metade daqueles mantidos todos os dias na empresa gostaria de alguma experiência em home office.
Globalmente, o Fórum Econômico Mundial estima que 39% das competências atuais serão transformadas ou perderão relevância até 2030. O rumo aponta para arranjos híbridos, aprendizado contínuo, carreiras múltiplas e colaboração com máquina.
O debate exige cautela. É preciso cuidado para que não se troque direitos trabalhistas por vulnerabilidade nem se chame precarização de liberdade. Faz tempo que a carteira assinada deixou de fazer sentido para as novas gerações. Hoje, as relações profissionais se dão com big techs transnacionais.
O desafio é garantir proteção sem eliminar a autonomia buscada por muitos trabalhadores de aplicativos. Uma saída seria assegurar condições básicas – contribuição previdenciária compartilhada, seguro contra acidentes, remuneração mínima, descanso e transparência dos algoritmos – sem necessariamente impor vínculo empregatício tradicional. Tudo isso sem sacrificar a segurança e a dignidade do indivíduo.
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