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São Bernardo ganha 1ª Escola de Futsal Down e fortalece inclusão na cidade

Projeto inédito oferece aulas para crianças e adolescentes com a síndrome e deficiência intelectual

Fábio Júnior
Especial para o Diário
13/09/2026 | 09:30
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DGABC André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Na quadra, a bola rola, os passes acontecem e os gols começam a aparecer. Mas, para quem participa da 1ª Escola de Futsal Down de São Bernardo, o mais importante não está no placar. O projeto, criado para crianças e jovens com síndrome de Down ou deficiência intelectual, usa o esporte para estimular a amizade, a autonomia, a coordenação motora e a convivência em grupo. 

A iniciativa funciona no Ginásio Poliesportivo Adib Moysés Dib, sendo uma parceria entre a Prefeitura do município por meio da Secretaria de Esporte e Lazer, a Associação Paradesportiva JR e o Andreense FC. As aulas são divididas por idade e acontecem às segundas (das 12h às 12h50 e das 13h às 13h50) e terças-feiras (das 11h às 11h50 e das 14h às 14h50).

Entre os novos atletas está Rafael Barros, 13 anos, que sempre gostou de brincar de bola. A mãe dele, Joyce Regina de Barros, 52, conta que a experiência já trouxe mudanças valiosas para o garoto. “A gente começou a trazer ele para as aulas e isso tem ajudado bastante na socialização com as outras crianças. Está sendo muito importante participar desse projeto”, disse. 

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Quem também está descobrindo a modalidade é Miguel Coelho Hasegawa, 10. Morador da Vila Andrade, em São Paulo, ele viaja até o Grande ABC para participar das atividades. Segundo a mãe, Andressa Coelho Hasegawa, 40, o futsal é um dos esportes que mais despertam o interesse do menino. “A gente fica muito feliz por ele estar tendo essa oportunidade. Em uma escolinha normal, a inclusão pode ser feita de uma maneira totalmente diferente. Então, está sendo muito importante ver o Miguel se desenvolver nesse projeto e ter um espaço pensado para ele”, comentou. 

Já Rafael Mourato, 11, começou a praticar o esporte por iniciativa da mãe, Sheila de Jesus Souza, 23. Morador do Jardim Beatriz, em São Bernardo, o garoto tinha pouca interação social e passava bastante tempo com comportamentos mais sedentários. “Esse projeto é fantástico. Eu consegui tirá-lo um pouco das telas e colocá-lo para praticar uma atividade física. No começo, ele estava mais resistente, mas, a cada aula, vem se desenvolvendo melhor e demonstrando mais interesse”, falou. 

As atividades são gratuitas e fazem parte das ações de inclusão esportiva da cidade. São Bernardo já atende a cerca de 760 pessoas com deficiência em cursos regulares de diferentes modalidades, como o futebol para cegos, atletismo, natação, badminton, judô e basquete. 

Mais do que formar jogadores, a proposta é fazer com que cada criança e jovem encontre dentro das quatro linhas um lugar para aprender, fazer amigos e descobrir novas habilidades. Afinal, no futsal, cada toque na redonda pode ser também um passo importante rumo à autonomia. Para as famílias, cada chute representa uma nova conquista.


Além das quadras, esporte aprimora a autonomia e o equilíbrio emocional

A prática esportiva contribui para o desenvolvimento da coordenação motora, do equilíbrio, do emocional e da agilidade. Os exercícios também estimulam a concentração, o raciocínio e a tomada de decisões. Fora da quadra, o esporte ajuda na socialização e ensina valores como respeito, cooperação e trabalho em equipe. 

Para o secretário de Esportes de São Bernardo, Mauricio Cardozo, 47 anos, criar um espaço específico para a modalidade é uma forma de ampliar as oportunidades esportivas na cidade. “É a inclusão. Nada mais justo do que trazer esse projeto para o nosso principal ginásio. Queremos fortalecer cada vez mais essa questão e dar oportunidade para crianças e jovens praticarem esporte, trazendo também a disciplina. Isso traz uma qualidade de vida melhor para eles”, comentou.

O projeto também conta com um treinador que conhece bastante o universo do futebol. Cleiton Monteiro, 52, acumula passagens por Corinthians, Palmeiras, Portuguesa, Guarani e Forge Football Club, do Canadá. Além da carreira nos gramados, ele trabalha há cerca de 20 anos ao lado de pessoas com deficiência. 

O profissional participou da criação da primeira Seleção Brasileira de Futsal Down, em 2011, e foi tricampeão mundial com a equipe. Agora, ele usa toda essa experiência para ajudar os novos esportistas da região. “O mais importante é que eles possam aprender a conviver em grupo, ter respeito e desenvolver sua autonomia. É um trabalho a longo prazo, mas tenho 100% de certeza de que vai dar bons frutos para a cidade futuramente”, disse.

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