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Saúde mental além de setembro

Andrea Taborda
14/09/2026 | 09:43
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DGABC Gilmar
Gilmar  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Assim como tivemos o Agosto Roxo, tema da última coluna, o Setembro Amarelo chegou com força, com foco nos cuidados com a saúde mental e na prevenção de doenças e transtornos que realmente impactam a vida da pessoa acometida, além de toda a família e das pessoas que convivem com ela. Sem contar que, dependendo do quadro, o adoecimento pode se agravar com o tempo.

Mas, assim como a campanha contra a violência doméstica, a questão da saúde mental é uma temática que precisa ser abordada todos os meses do ano. Afinal, levantar uma questão que impacta milhões de pessoas somente no Brasil é um fator que todos nós, para além da atuação na Medicina, devemos olhar com atenção.
 

A depressão e a ansiedade estão no topo dos transtornos mentais no Brasil, de acordo com a Organização Mundial da Saúde, mas nem sempre a causa do desenvolvimento é a mesma para todos. Por isso, quando uma pessoa chega à sala de um profissional de saúde, além dos sintomas e de uma investigação sobre possível causa, e de uma abordagem multiprofissional, é necessário entender a fundo o que pode ter causado aquele transtorno.

Vários fatores podem desencadear a depressão e a ansiedade, porém, pouco se fala sobre como as iniquidades sociais também podem afetar a saúde mental. Insegurança alimentar, falta de segurança, principalmente em territórios dominados pela violência, como áreas faccionadas, são alguns deles, assim como a falta de projeção para o futuro e de expectativa de vida também pode afetar principalmente os mais jovens, aqueles que moram em comunidades periféricas, longe de centros urbanos, onde oportunidades de emprego com salários que cubram as despesas e possam melhorar a qualidade de vida são escassas. 
 

Mães solo, sem rede de apoio nos cuidados com os filhos e também sem vagas nas creches, além daquelas que atuam no mercado de trabalho e têm sobrecarga de tarefas domésticas, além das profissionais, enfrentam esse cenário. O racismo é outro fator muito presente ligado às questões de saúde mental em nosso País.

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Em um País com questões sociais tão grandes e desigualdades territoriais entre interior, grandes capitais e centros mais afastados, ter uma vida plena, saudável física e mentalmente, é um desafio. Sem contar que hoje, temos aquele recorte de vida perfeita que usuários de redes sociais pregam, o que pode diminuir nossas expectativas reais de vida, em um comparativo desleal com a realidade da maioria da população no País.
 
Por isso, em uma consulta médica, seja qual for a queixa, com sintomas que indiquem algum transtorno mental, é importante entender como aquela pessoa vive, incluindo dinâmica familiar, status social e alimentação, verificando se há condições para uma nutrição, mesmo que aquela básica que funciona, como o nosso famoso arroz e feijão, além de uma proteína para garantir o consumo de que o corpo precisa para se manter ativo e sadio.
 

E caso você esteja apresentando sintomas incomuns, que nunca tenha sentido antes, como insônia ou muito sono, com horas prolongadas na cama, sem vontade de ter uma rotina, incluindo até dificuldade de realizar tarefas banais e necessárias, como escovar os dentes, tomar banho, vestir e trocar de roupas, além de consumir determinados alimentos em excesso ou não sentir fome alguma, não hesite em procurar ajuda, não apenas neste mês, mas em todos os meses do ano.




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