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Bullying: mudar o agressor

14/09/2026 | 11:52
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DGABC
 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


As estatísticas são de estarrecer. Segundo dados da Secretaria da Educação de São Paulo, as escolas estaduais localizadas no Grande ABC registraram média de uma denúncia de bullying e cyberbullying a cada 12 horas. Dados obtidos pelo repórter Gabriel Rosalin, do Diário, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que foram registradas 572 queixas do tipo entre janeiro e julho deste ano. Muito bem conhecidas as consequên-cias devastadoras e irreversíveis que essa violência pode ter na saúde física, mental e acadêmica da vítima, que ultrapassam o período escolar, afetando relações pessoais e profissionais, resta estabelecida a necessidade de se combater as causas do problema.

Não é fácil, dada a complexidade da questão, mas perfeitamente possível. O enfrentamento deve ser feito em frentes diversas. Ações preventivas. Intervenção e acolhimento. Parceria com as famílias. Escolas devem apostar em educação socioemocional, ensinando, além de português e matemática, noções de empatia, tolerância e respeito às diferenças. Disponibilizar canais de denúncia e promover vigilância ativa nas áreas comuns, como pátios, corredores e refeitórios, onde as agressões costumam ocorrer, também ajuda. Acolher a vítima sem julgar e trabalhar com o agressor são outras medidas fundamentais. Por fim, estabelecer canal de diálogo franco com pais e responsáveis contribui bastante.
 

Referência contemporânea no estudo e combate ao bullying no Brasil, a médica psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva escreveu um livro que deve ser lido por quem deseja compreender a extensão do problema e combatê-lo. Em Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas, a autora desconstrói a ideia de que as agressões repetitivas são “apenas brincadeiras de criança” e propõe abordagem prática para lidar com a questão. Talvez a mais importante delas, para além das sanções pedagógicas e reparatórias, seja a que aconselha trabalhar para que o agressor seja levado a assumir a responsabilidade e entender o impacto de suas ações na vida do outro. Afinal, é quem agride que precisa mudar, não a vítima.

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