As estatísticas são de estarrecer. Segundo dados da Secretaria da Educação de São Paulo, as escolas estaduais localizadas no Grande ABC registraram média de uma denúncia de bullying e cyberbullying a cada 12 horas. Dados obtidos pelo repórter Gabriel Rosalin, do Diário, por meio da Lei de Acesso à Informação, mostram que foram registradas 572 queixas do tipo entre janeiro e julho deste ano. Muito bem conhecidas as consequên-cias devastadoras e irreversíveis que essa violência pode ter na saúde física, mental e acadêmica da vítima, que ultrapassam o período escolar, afetando relações pessoais e profissionais, resta estabelecida a necessidade de se combater as causas do problema.
Referência contemporânea no estudo e combate ao bullying no Brasil, a médica psiquiatra Ana Beatriz Barbosa Silva escreveu um livro que deve ser lido por quem deseja compreender a extensão do problema e combatê-lo. Em Bullying: Mentes Perigosas nas Escolas, a autora desconstrói a ideia de que as agressões repetitivas são “apenas brincadeiras de criança” e propõe abordagem prática para lidar com a questão. Talvez a mais importante delas, para além das sanções pedagógicas e reparatórias, seja a que aconselha trabalhar para que o agressor seja levado a assumir a responsabilidade e entender o impacto de suas ações na vida do outro. Afinal, é quem agride que precisa mudar, não a vítima.
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