A escola está perdendo o jogo?
FOTO: Freepik (imagem ilustrativa)

O que torna as plataformas de apostas tão eficientes em capturar a atenção dos jovens enquanto tantas salas de aula ainda lutam para mantê-la? Longe de defender uma prática proibida para menores de 18 anos, proponho um exercício diferente: observar os mecanismos que tornam essas plataformas tão atraentes e perguntar se a educação pode aprender algo com eles para ensinar melhor.
A pergunta ganhou urgência. Pesquisa recente da Frente Parlamentar Mista da Educação, em parceria com o Equidade.info, revelou que um em cada cinco estudantes já fez apostas on-line. Aos 11 anos, 9,5% já apostaram e, no 3º ano do ensino médio, praticamente metade dos meninos já fez algum tipo de aposta.
A pesquisa traz um dado que chama a atenção: saber mais não significa necessariamente escolher melhor. No ensino médio, nem mais educação financeira nem maior letramento financeiro estiveram associados a uma menor participação em apostas. A economia comportamental ajuda a compreender esse poder de atração. Nossas escolhas não dependem apenas do que sabemos, mas também de como alternativas, incentivos e ambientes são apresentados.
Expectativa, retorno imediato, desafio, sensação de progresso e vontade de tentar novamente mobilizam o comportamento. Alguns desses elementos também estão presentes na gamificação da aprendizagem. É nesse ponto que está a diferença. Não queremos incorporar das bets aquilo que as torna perigosas: recompensas imprevisíveis, ilusão de controle e estímulos à repetição. Na educação, o jogo é outro: objetivos claros, desafios adequados, retornos que orientam, progresso visível e oportunidades de tentar novamente podem favorecer o engajamento e a aprendizagem.
A escola não precisa, nem deve, competir com as bets. Mas pode aprender com elas algo sobre como a atenção dos jovens é capturada e pensar em maneiras de mobilizá-la a favor da aprendizagem.
Talvez nossos jovens não tenham perdido o interesse por desafios. Talvez a escola esteja perdendo o jogo.
Acesse a pesquisa na íntegra aqui
Renata de Abreu Barbosa, economista e pedagoga.
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