Grande ABC terá aporte de até R$ 35 mi do Estado para mitigar as enchentes
SP Águas estima, para o primeiro trimestre de 2027, concentração de esforços no desassoreamento do Rio Tamaduateí e do Córrego Oratório
FOTO: Denis Maciel/DGABC e Celso Luiz/DGABC

O governo do Estado prevê aportar R$ 34,9 milhões em ações de desassoreamento de cursos d’água que cortam o Grande ABC. A aplicação dos investimentos está prevista de forma escalonada para o primeiro trimestre de 2027, em duas principais frentes de atuação no Rio Tamanduateí e no Córrego Oratório.
A SP Águas (Agência de Águas do Estado de São Paulo), autarquia vinculada à Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística), garante que o cronograma engloba pacote de intervenções corriqueiras em todo o território paulista.
“No Rio Tamanduateí, o projeto contempla a limpeza de aproximadamente 4,9 km de calha – (no eixo da Avenida dos Estados) no trecho entre as avenidas da Paz e André Ramalho, em Santo André –, com remoção estimada de 120 mil m³ de sedimentos, prazo de execução de 12 meses e investimento de R$ 30,3 milhões. Para o Córrego Oratório, há orçamento de R$ 4,6 milhões e prazo de 12 meses”, explica a autarquia.
A execução no Córrego Oratório, que nasce na Vila Nova Mauá, em Mauá, nas proximidades do Rodoanel Mário Covas, será dividida em quatro trechos prioritários, contemplando o segmento entre a foz no Tamanduateí (na tríplice divisa de Santo André, Caetano e São Paulo) e a Rua Aurora (no bairro andreense Jardim Ana Maria, na região fronteiriça com a Fazenda da Juta, área da Capital), que prevê a retirada de 8.385 m³ de material assoreado.
As ações integram cronograma de intervenções do Estado para a resiliência hídrica no Grande ABC, considerando os aportes anunciados pela Semil em novembro de 2025, de que, entre o acumulado de 2024 até o fim do primeiro trimestre deste ano, o empenho financeiro foi estimado em R$ 46,2 milhões para intervenções de limpeza e desassoreamento de córregos na região. O Diário questionou a Pasta e a autarquia se todo o valor projetado foi aplicado, mas não obteve resposta.
A SP Águas detalha que o trabalho preventivo, a manutenção contínua e a operação técnica dos reservatórios de contenção de cheias (piscinões) no Grande ABC foram determinantes para absorver os grandes volumes hídricos e mitigar os impactos causados pelas fortes chuvas do último fim de semana na região.
Segundo a autarquia, os serviços de limpeza, conservação e desassoreamento dos piscinões são executados de forma contínua nos 27 reservatórios na Região Metropolitana de São Paulo, destes, 19 no Grande ABC. “As ações compreendem remoção periódica de resíduos e sedimentos, roçada, manutenção das áreas do entorno e revisão preventiva dos sistemas de bombeamento e comportas.”
Como reflexo dessa dinâmica operacional, durante o pico das precipitações às 20h30 de segunda-feira (14), apenas três dos 32 piscinões monitorados entraram momentaneamente em condição de atenção: RT-3 Petrobras (Mauá), RC-3 Mercedes-Benz (Diadema) e RC-9 Ford (São Bernardo).
A SP Águas também diz que o Piscinão Jaboticabal, o maior da América Latina, até à noite de terça-feira (15) seguia “operando com sua capacidade de armazenamento de 900.000 m³ integralmente disponível.”
Prefeituras atuam e reduzem riscos
As cidades do Grande ABC, em média, acumularam de 1º de setembro até a última segunda-feira (14), 240 milímetros de chuva, precipitação acima dos indicadores históricos para o mês, que variam entre 80mm e 100mm. Apesar do alto índice, os municípios demonstraram resiliência hídrica ao longo das quase duas semanas e grandes alagamentos não foram registrados. Segundo as Prefeituras, o resultado reflete os investimentos e ações nos territórios. Como as chuvas cessaram, os riscos para enchentes foram reduzidos, todavia, em algumas localidades, devido ao excesso de água no solo, pode haver deslizamentos de terra, por isso, há monitoramento constante da Defesa Civil de cada município.
A Prefeitura de Santo André informa que neste mês foram registrados três pontos de alagamento (Rua Felipe Camarão, outro no limite com o município de São Caetano, próximo à Rua Guido Aliberti e o último na Rua Almada).
Segundo a gestão do prefeito Gilvan Ferreira (Cidadania), ao considerar as obras e intervenções de drenagem urbana realizadas pela Secretaria de Infraestrutura e Obras e pelo Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André), foram investidos R$ 87,4 milhões em 2025 e R$ 51,3 milhões em 2026. Os recursos contemplaram micro e macrodrenagem, desassoreamentos, manutenção preventiva e corretiva de ramais de galerias de águas pluviais; construção de Jardim de Chuva; contenção de margens de córregos; desobstrução de galerias de águas pluviais, entre outras.
São Caetano, cidade administrada por Tite Campanella (Republicanos), destaca que neste mês foram registrados 13 pontos de alagamento, sendo cinco no dia 10 e oito no dia 12. Nas demais datas com precipitação foram registradas enchentes, mesmo com volumes de chuva variando de fracos a moderados.
De acordo com a Prefeitura, os investimentos específicos para reduzir danos de eventos climáticos, aplicados entre janeiro e julho de 2026, “encontram-se em consolidação nas secretarias responsáveis pela execução orçamentária”.
A cidade esclarece que mantém investimentos contínuos em ações estruturais e preventivas voltadas à mitigação dos impactos causados por eventos climáticos extremos com obras de macrodrenagem, ampliação da capacidade do sistema de drenagem urbana, construção do reservatório de amortecimento (Piscinão do Bairro Fundação) e demais intervenções de infraestrutura destinadas à redução dos riscos de alagamentos e enchentes.
Em 2025, a Prefeitura afirma ter destinado aproximadamente R$ 100,6 milhões para a continuidade das obras no bairro Fundação.
Em Diadema, o Paço sob o comando do prefeito Taka Yamauchi (MDB), garante ter aplicado em 2025, mais de R$ 7 milhões na execução de manutenções e obras de drenagem. Também foi realizada a canalização do Córrego Iguassú, no Inamar.
Neste ano foi concluída a canalização do Grota Funda e está em andamento o do Córrego do Olaria, ambos no Eldorado, além de obras de drenagem no Núcleo Habitacional Naval.
Para 2027 estão previstos investimentos com recursos do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) de R$ 27 milhões, entre obras de drenagem na cidade e na Viela Fortaleza.
O Diário procurou as demais prefeituras, que não responderam aos questionamentos até a noite desta quarta-feira (16).
LEIA MAIS:
Alex Manente cobra ações do governo federal para reduzir a sobrecarga das mães atípicas
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.
Santo André 14° C
Rio Grande da Serra 15° C
