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Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte público de São Paulo

Ex-vereador é alvo de pedido de prisão temporária em operação que apura suspeita de infiltração do PCC no transporte coletivo de São Paulo

17/09/2026 | 08:31
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FOTO: Afonso Braga/Câmara Municipal de SP Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O ex-vereador Milton Leite (União Brasil), de 67 anos, é alvo de pedido de prisão temporária no âmbito da Operação Vectura Corrupta, deflagrada nesta quinta-feira (17) pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil. A investigação apura suspeitas de infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no sistema de transporte coletivo da Capital.

Por meio de comunicado, Leite afirmou que está viajando, mas que se apresentará às autoridades em até 24 horas. “Estou em viagem, não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas. Vou provar minha inocência em todas as acusações.”

Leite foi vereador por sete mandatos consecutivos e presidiu a Câmara Municipal por seis anos. Ele deixou o Legislativo ao fim de 2024, após 28 anos de atuação na Casa. Mesmo sem mandato, continuou participando de articulações políticas.

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Em 2025, participou de articulações internas do União Brasil na Capital e, no ano seguinte, assumiu a presidência estadual da Federação União Progressista, formada por União Brasil e Progressistas.

A trajetória política de Leite começou na zona sul de São Paulo, onde cresceu, na região de Piraporinha. Ele foi eleito vereador pela primeira vez em 1996, para assumir o mandato no ano seguinte, e conseguiu seis reeleições consecutivas, permanecendo na Câmara até 2024.

Na presidência da Câmara, comandou o Legislativo em 2017 e 2018 e novamente de 2021 a 2024. Nesse período, também assumiu interinamente a Prefeitura de São Paulo em diferentes ocasiões.

Após deixar o cargo de vereador, passou a atuar nos bastidores da política municipal e estadual. Para as eleições de 2026, o ex-vereador tem apoiado candidaturas de integrantes da família. Alexandre Leite e Milton Leite Filho buscam vagas na Alesp (Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo) e na Câmara dos Deputados, respectivamente.

Operação Fim da Linha

O nome de Leite já havia aparecido em apurações relacionadas à Transwolff, empresa de ônibus que foi alvo da Operação Fim da Linha, do Ministério Público, em 2024.

A companhia foi investigada sob suspeita de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC e teve o contrato com a Prefeitura de São Paulo cancelado. A empresa nega ligação com a facção.

Em fevereiro deste ano, um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar apontou possíveis conexões entre Leite e policiais presos sob suspeita de atuar na segurança de dirigentes da Transwolff. Uma mensagem enviada pelo sargento da reserva Nereu Aparecido Alves a um diretor da empresa fazia referência ao ex-vereador como “chefe Milton”. A investigação também citou possíveis relações financeiras e políticas entre Leite e a companhia.

Leite negou conhecer Nereu e afirmou que o policial nunca fez parte de sua escolta. A Câmara Municipal informou que o capitão Alexandre Paulino Vieira, citado nas investigações como responsável por organizar a segurança dos empresários, havia trabalhado na Assessoria Policial Militar da Casa durante gestões de diferentes presidentes.

Em agosto, o Ministério Público denunciou quatro policiais militares sob acusação de integrar uma organização criminosa que fazia a segurança de dirigentes, familiares e instalações da Transwolff. Segundo a denúncia, Alexandre Paulino Vieira era o principal elo do grupo. O documento não apontou participação de Leite no esquema.

Posicionamento da Prefeitura de São Paulo

Segundo a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), a intervenção determinada pela Prefeitura de São Paulo na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida para proteger o sistema municipal de transporte.

“Na mesma ocasião, a administração municipal também determinou, por iniciativa própria, a intervenção na UPBus, mesmo sem qualquer solicitação da Justiça. Desde o início das investigações, a Prefeitura agiu com rigor, inclusive encerrando contrato a fim de preservar o interesse público e garantir que a população não fosse prejudicada”, afirmou a administração municipal em nota.

A Prefeitura acrescentou que, na ocasião, também foi aberto um processo pela Controladoria-Geral do Município contra a Transwolff e a UPBus e que, desde então, atua em conjunto com o Ministério Público e a Polícia Civil no processo investigatório.

“A administração colabora integralmente com o Ministério Público, fornecendo todos os documentos e esclarecimentos necessários”, afirmou a Prefeitura de São Paulo.




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