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Grande ABC registra um dos meses de setembro mais chuvosos da história

Super El Niño leva região a ter média de 257 milímetros de chuva nas primeiras semanas do período, mais que o dobro do esperado

17/09/2026 | 09:53
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DGABC FOTO: Eduardo Merlino/PSA
 FOTO: Eduardo Merlino/PSA Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Influenciado pelo Super El Niño, o Grande ABC registra um dos meses de setembro mais chuvosos dos últimos anos. Nas duas primeiras semanas do período, as sete cidades acumularam, em média, 257 milímetros de chuva – mais que o dobro dos cerca de 125 milímetros esperados para setembro. O volume observado até agora já se aproxima dos maiores acumulados históricos para o mês e, segundo especialistas, a tendência é de que o cenário continue ao longo dos próximos dias.

Os maiores volumes foram medidos em Santo André, com 298,3 milímetros entre os dias 1º e 14, e São Bernardo, com 270,4 mm. Por sua vez, Ribeirão Pires acumulou 271,2 mm; Diadema, 258,2 mm; São Caetano, 240,1 mm; Mauá, 226,2 mm; e Rio Grande da Serra, 243,1 mm.
 
No município andreense, o acumulado já é o maior registrado na última década. Segundo a Defesa Civil municipal, a cidade dispõe de registros pluviométricos para comparação desde 2016 e, nesse período, não houve outro setembro com volume tão elevado quanto o de 2026 até o momento. “A Defesa Civil dispõe de registros pluviométricos para comparação desde 2016 e, considerando essa série histórica, não foi identificado outro mês de setembro com acumulados tão elevados quanto os observados em 2026 até o momento”, informou o órgão.
 
A chuva também apresentou diferenças significativas entre as regiões da cidade. No Jardim Santo André, o acumulado chegou a 316,2 mm, o maior do município. Já Paranapiacaba, na Macrozona de Proteção Ambiental, teve 279,1 mm de chuvas.
 
Em São Caetano, os 240,1 mm acumulados nas duas primeiras semanas representam quase três vezes a média climatológica de todo o mês, de 88,9 mm. Segundo a Defesa Civil municipal, desde 2023 não era registrado um volume tão expressivo de chuva.
 
Em Diadema, os 258,2 mm contabilizados superam com folga a climatologia de 106,2 mm. Em Ribeirão Pires, os 271,2 mm são mais que o dobro dos 128,9 mm esperados para o mês. Já em Rio Grande da Serra, o acumulado de 243,1 mm também supera amplamente a média de 128,8 mm. De acordo com a administração municipal, desde 2015 a cidade não verificava volumes tão elevados.
 
Quando as nuvens se avolumam no céu, a preocupação da população também cresce, em razão dos transtornos deixados pelas chuvas, por vezes com consequências fatais. Em São Bernardo, um catador de recicláveis morreu soterrado após um deslizamento de terra no sábado (12) na Vila São José. Desmoronamentos também ocorreram em Santo André, Mauá e Ribeirão Pires.
 
Em agosto, o desabamento de um prédio deixou quatro feridos após uma forte chuva em São Bernardo. Em Diadema, o muro da Creche Comunidade Inamar desabou na avenida Antônio Sylvio Cunha Bueno, na quinta-feira (10). Quedas de árvores e pontos de alagamento também deixaram toda a região em alerta.
 
RECORDE

De acordo com o meteorologista Márcio Bueno, da empresa de previsão meteorológica Tempo OK, setembro de 2026 está entre os meses mais chuvosos já registrados no Grande ABC, seguido por 1983 e 2015, considerando os acumulados de chuva para o mês. No entanto, o especialista ressalta que as comparações dependem da estação meteorológica utilizada, já que os períodos de registros variam.

A estação do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), no bairro de Santana, na Capital, possui dados desde 1943. No Grande ABC, há pluviômetros com séries históricas iniciadas nas décadas de 1970 e 1980, além de equipamentos instalados mais recentemente. A Capital, por exemplo, contabilizou, nos primeiros 14 dias do mês, o setembro mais chuvoso desde o início da série histórica, com 253,8 milímetros. 

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Mesmo com essa diferença entre as séries, Bueno destaca que o volume verificado em setembro de 2026 já chama a atenção. Segundo ele, os acumulados observados na metade do mês já alcançaram patamares registrados em anos que estão entre os mais chuvosos e podem fazer com que o mês termine como o mais chuvoso da história. 
 
“O El Niño vai favorecer chuvas mais volumosas que em 1983 e 2015, porque já atingimos o patamar daqueles anos só na metade do mês”, afirma. Para o meteorologista, a intensidade do fenômeno climático é um dos principais fatores por trás do excesso de chuva. Segundo Bueno, o Centro de Previsão Climática dos Estados Unidos classificou a fase atual do fenômeno como muito intensa, condição que favoreceu a ocorrência de precipitações mais volumosas e abrangentes.

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