Como resposta aos estragos provocados pelas fortes chuvas que castigaram o Grande ABC nos últimos dias, o governo do Estado anunciou a destinação de R$ 34,9 milhões para desassorear rios e córregos que cortam a região. O aporte é muito bem-vindo. A limpeza de cursos d’água é considerada uma das principais intervenções estruturais de curto e médio prazos contra enchentes em grandes cidades porque devolve aos leitos a profundidade e a capacidade original de escoamento de água, fazendo com que o fluxo fique contido dentro de suas margens. Só há um porém: o prazo de execução dos serviços. Segundo o cronograma oficial, as ações previstas começam apenas após o fim do verão 2026/2027.
O volume observado até agora já se aproxima dos maiores acumulados históricos para o mês e, segundo especialistas, a tendência é de que as precipitações continuem ao longo dos próximos dias.Diante do aumento dos eventos climáticos extremos, é natural que as cidades que enfrentaram processo desordenado de urbanização, como é o caso de 100% das localizadas no Grande ABC, sofram os efeitos das cheias dos cursos d’água, cuja falta de manutenção apresenta sua pior faceta em época de tempestade. Lixo, entulho e areia acumulados nos leitos cobram a fatura do desleixo do Estado, fazendo com que o volume de água inunde as áreas urbanas nos casos de qualquer chuva de maior intensidade. Deste modo, o anúncio de investimento em desassoreamento é bastante auspicioso. Pena que seja para futuro distante. Enquanto isso, a população segue sujeita às graves consequências dos temporais.
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