Adolescência até os 32 anos?

Renata de Abreu Barbosa
25/09/2026 | 11:02
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Aos 32 anos, o cérebro muda de fase. Foi o que encontrou um estudo recente ao analisar imagens cerebrais de 4.216 pessoas, de zero a 90 anos. Os pesquisadores queriam observar como a rede de conexões do cérebro se organiza ao longo da vida. E descobriram algo interessante: esse desenvolvimento não acontece de forma linear. Há momentos em que o padrão das conexões muda de direção de maneira mais marcada. Os principais pontos de virada apareceram por volta dos 9, 32, 66 e 83 anos.

O dado dos 32 chama atenção porque encerra uma fase que começa aproximadamente aos 9 anos. Nesse intervalo, a rede cerebral passa por mudanças progressivas em sua organização e integração. Os próprios autores chamaram esse período de “adolescência”.

É claro que isso não significa que uma pessoa de 31 anos seja adolescente no sentido em que usamos normalmente essa palavra.

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O estudo está olhando para algo mais específico: a forma como diferentes regiões do cérebro se conectam e se organizam em rede. Para isso, foram usadas imagens por difusão, capazes de estimar os caminhos das fibras de substância branca que ligam diferentes áreas cerebrais. Em outras palavras, os pesquisadores não estavam olhando apenas para “partes do cérebro”, mas para o desenho das conexões entre elas.

Ainda assim, o achado complica um pouco aquela imagem confortável de que, aos 18 anos, encerramos uma fase e começamos outra completamente nova.

E é aqui que a educação me parece especialmente interessante.
 
No Ensino Médio, acompanhamos de perto o estudante. Observamos sua aprendizagem, suas dificuldades, suas escolhas, seus projetos e, muitas vezes, até sua rotina. Poucos meses depois, na universidade, a lógica muda. Espera-se que ele administre sozinho horários, leituras, avaliações, prazos, escolhas profissionais, frustrações e responsabilidades cada vez maiores. Em pouco tempo, também chega o mercado de trabalho, com novas cobranças por decisão, organização e autonomia.
 
Nada disso significa que devamos tratar jovens adultos como crianças ou prolongar artificialmente a adolescência. Mas talvez exista uma diferença importante entre formar para a autonomia e simplesmente presumir que ela aparece pronta aos 18 anos.
 

As instituições precisam de fronteiras. A lei também. O desenvolvimento humano, ao que parece, não segue essas divisões com a mesma precisão.

Talvez, então, a pergunta não seja: até quando somos adolescentes?

Talvez seja outra: o que muda na educação quando percebemos que tornar-se adulto é menos uma data e mais um processo?
 

Acesse o estudo na íntegra aqui.

Renata de Abreu Barbosa é economista e pedagoga.

 



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