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Tarcísio e Haddad nacionalizam debate em SP

Candidatos ao governo paulista levam embate nacional ao centro do debate e confrontam versões sobre PCC, Sabesp, obras e situação fiscal do Estado

30/09/2026 | 07:16
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FOTO: Divulgação/Rede Globo Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Os candidatos ao governo de São Paulo Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) passaram boa parte do último debate antes do primeiro turno defendendo as gestões de seus respectivos aliados, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), além de trocar críticas envolvendo os dois grupos políticos. A discussão chegou à Argentina, governada por Javier Milei, enquanto temas estaduais dividiram espaço com questões nacionais.

Realizado nos estúdios da TV Globo, na capital paulista, o debate durou cerca de duas horas e avançou pela madrugada desta quarta-feira (30). Sem perguntas de jornalistas, o encontro foi marcado pelo confronto direto entre os dois candidatos ao longo dos quatro blocos.

A discussão ocorreu em meio à vantagem de Tarcísio nas pesquisas eleitorais. Levantamento AtlasIntel/Estadão divulgado na terça-feira (29) mostrou o governador com 53,3% das intenções de voto, ante 40,1% de Haddad no primeiro turno. A pesquisa ouviu 1.833 eleitores entre os dias 22 e 27 de setembro e tem margem de erro de dois pontos porcentuais.

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Tarcísio citou Flávio Bolsonaro (PL), candidato do partido à Presidência, apenas nas considerações finais, ao ressaltar a importância da parceria entre os governos estadual e federal. A postura contrastou com a de Haddad, que mencionou Lula diversas vezes ao longo do debate.

“Vocês querem o Milei aqui, né?”, questionou o petista ao responder a uma pergunta de Tarcísio sobre a política econômica adotada por ele quando era ministro da Fazenda do governo Lula. “Vocês forneciam osso e agora querem carne de burro. É esse o plano econômico de vocês”, acrescentou Haddad.

O chefe do Executivo paulista afirmou que o presidente argentino encontrou uma situação econômica complexa ao assumir o país. Em julho, Tarcísio concedeu a Milei a Ordem do Ipiranga, maior honraria do Estado.

Economia

O governador defendeu a necessidade de ajuste fiscal e contenção de gastos no governo federal. “A gente está vendo a economia patinando, as empresas quebrando e as pessoas endividadas”, declarou, ao citar a recuperação judicial do grupo Casas Bahia.

A dinâmica se repetiu em temas como saúde, infraestrutura e casos de corrupção. Tarcísio afirmou que obras como o Rodoanel Norte e a Linha 6-Laranja do Metrô atrasaram em razão da Operação Lava Jato, que associou ao PT. “Do PT, por causa de vocês”, declarou.

O governador também citou a lobista Roberta Luchsinger, alvo de investigação da PF (Polícia Federal) por suspeitas de tráfico de influência envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula. A defesa de Lulinha nega irregularidades.

PCC

Haddad, por sua vez, destacou a atuação do governo federal na Operação Carbono Oculto, que investiga a infiltração do PCC (Primeiro Comando da Capital) no setor de combustíveis. O petista também afirmou que a renegociação das dívidas dos Estados com a União, promovida pelo governo Lula, beneficiou São Paulo.

Segundo Haddad, a medida teria dado fôlego financeiro ao governo paulista para realizar obras e investimentos, parte deles financiada por bancos públicos federais. “Tenho certeza de que seguiremos incentivando São Paulo se Lula for reeleito. Se Flávio for eleito, vai travar tudo”, afirmou. O petista também disse que Tarcísio teria descumprido a Lei de Responsabilidade Fiscal se não fosse a renegociação dos débitos conduzida durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda.

“Daqui a pouco vocês vão dizer que fizeram o Farol de Salvador e o Cristo Redentor. Tudo é o governo federal”, ironizou Tarcísio. O governador minimizou a participação da gestão Lula nas obras paulistas, afirmando que parte dos recursos corresponde a empréstimos que serão pagos pelo Estado, e defendeu a situação das contas estaduais.

Um dos momentos de maior confronto ocorreu no início do debate, com acusações envolvendo aliados dos candidatos e suspeitas de ligação com o crime organizado. Haddad afirmou que Tarcísio pediu votos para os filhos do ex-vereador Milton Leite (União Brasil), preso temporariamente em uma operação que investiga a infiltração do PCC no sistema de transporte coletivo de São Paulo. Leite nega envolvimento com a facção.

“Minha relação com eles sempre foi institucional”, respondeu Tarcísio. “Eles [a família Leite] nunca tiveram cargos no governo de São Paulo. O que a gente tratou foi saneamento básico nos mananciais, habitação”, afirmou o governador.

Tarcísio, por sua vez, citou o vereador Senival Moura (PT), preso neste ano sob suspeita de envolvimento com o PCC. Haddad havia afirmado que o caso ocorrera anteriormente.

Na mesma linha, o petista mencionou o afastamento do então comandante-geral da Polícia Militar, José Augusto Coutinho, após a divulgação de suspeitas de omissão em um caso no qual policiais teriam sido corrompidos pelo PCC. O episódio foi revelado pelo Estadão.

“Você fala que tudo está melhorando. O crime organizado está se infiltrando nas instituições. Você teve que afastar o comandante da Polícia Militar por recomendação do Ministério Público”, afirmou Haddad.

Sabesp

Os candidatos também debateram a privatização da Sabesp. “Você acha normal uma empresa de saneamento orientar o consumidor a não consumir a água que sai da torneira dele?”, questionou Haddad.

“A empresa estava dizendo aos consumidores que, se houvesse algum problema, era para comunicá-la. Não venha alarmar a população de forma irresponsável”, respondeu Tarcísio.




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