PT e PL lideram repasses do total de R$ 45,4 mi para candidaturas no Grande ABC
Na última semana antes da eleição, postulantes contabilizam no montante total R$ 40,8 milhões de fundos eleitoral e partidário
FOTO: Claudinei Plaza 23/9/22

A quatro dias da votação do primeiro turno da eleição, 107 candidatos do Grande ABC que concorrem às vagas de deputado estadual, deputado federal e senador receberam R$ 45,4 milhões em repasses de campanha, com as chapas do PT e PL liderando as transferências. Do total, R$ 40,8 milhões vieram do FEFC (Fundo Especial de Financiamento de Campanha) e do fundo partidário, valor correspondente a 89,8% das cifras enviadas aos postulantes, enquanto 19 nomes não receberam verba alguma desde o início do pleito.
Entre os partidos, a chapa do PT foi a que mais recebeu doações eleitorais na região, alcançando R$ 6,29 milhões, sendo R$ 4,8 milhões dos fundos eleitoral e partidário. O PL vem em seguida, com R$ 6,25 milhões em transferências, sendo R$ 5,8 milhões de repasses dos diretórios nacional e estadual. Em seguida vem o Cidadania, com R$ 5,1 milhões (R$ 5 milhões dos fundos), seguido do PSD, com R$ 4,4 milhões (R$ 3,9 milhões), MDB, com R$ 4,2 milhões (R$ 4 milhões), e Podemos, com R$ 4,1 milhões (R$ 3,7 milhões).
As campanhas podem receber recursos próprios dos candidatos, doações de pessoas físicas, transferências de partidos e de outras candidaturas, além de valores do FEFC e do fundo partidário. No caso dos recursos públicos, o dinheiro é repassado pelos diretórios às candidaturas segundo critérios definidos pelas próprias legendas, dentro das regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral. Já as transferências de pessoas físicas são limitadas a 10% dos rendimentos brutos do ano anterior à eleição, enquanto empresas são proibidas de bancar candidaturas.
O ex-prefeito de São Bernardo Orlando Morando (MDB) é líder em recursos recebidos, com R$ 3 milhões registrados na prestação de contas de sua campanha a deputado federal. Na sequência estão outros postulantes à Câmara, como Baianinho de Mauá (União Brasil), com R$ 1,84 milhão; Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho (PT), com R$ 1,82 milhão; e Moisés Selerges (PT), com R$ 1,5 milhão. Concorrendo a deputada estadual, Ana Paula Haussauer (Cidadania) recebeu R$ 1,3 milhão. Ao todo, 17 nomes ultrapassaram a marca de R$ 1 milhão em receitas.
Também chamam a atenção as transferências financeiras via FEFC entre candidaturas, tendo como exemplo mais emblemático Atila Jacomussi (PRD), que busca o terceiro mandato de deputado estadual. O ex-prefeito de Mauá soma R$ 1 milhão, composto por R$ 880 mil de postulantes correligionários a deputado federal, Neguinho do Gás e Wagner Cipriano, os quais receberam diretamente pelo partido.
A circulação de dinheiro entre postulantes da mesma sigla também aparece em outras campanhas. O deputado estadual Luiz Fernando Teixeira (PT) recebeu R$ 257 mil por meio de repasses indiretos de Kiko Celeguim, Moisés Selerges e Carlos Zarattini. Já Josa Queiroz (PT), que concorre à Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo), contabiliza R$ 185,4 mil oriundos de Arlindo Chinaglia, Kiko Celeguim e José Dirceu.
O deputado estadual Rômulo Fernandes (PT), por sua vez, recebeu R$ 43,9 mil de Vicentinho, enquanto Rodolfo Donetti (Cidadania) teve aporte de R$ 20 mil para sua chapa a deputado estadual de Guilherme Derrite (PL), candidato ao Senado.
Ao todo, o Grande ABC tem 126 candidatos presentes nas urnas para a votação do próximo domingo (4), sendo seis postulantes indeferidos, com prazo para recursos. Outras três pessoas tiveram registros rejeitados pelo TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo) por motivo de desistência ou incompatibilidades perante as regras eleitorais e não estarão à disposição dos 2,1 milhões de eleitores da região.
LULA
O levantamento realizado pelo Diário não considerou a candidatura à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em respeito à proporcionalidade entre os postulantes. O líder petista, que teve sua trajetória política iniciada nas greves dos metalúrgicos no Grande ABC no fim dos anos 1970, recebeu até o momento R$ 77,1 milhões em repasses, sendo R$ 75,1 milhões do diretório nacional do PT. O chefe do Palácio do Planalto vota neste domingo, em São Bernardo.
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