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Nossa responsabilidade diante das urnas

Márcio Galdino
01/10/2026 | 10:03
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De tempos em tempos, o Brasil volta às urnas. Parece um gesto simples. A gente chega, digita alguns números, confirma e vai embora. Mas não é. Nossa escolha vai muito além: para o bem ou para o mal, os eleitos vão nos acompanhar por pelo menos quatro anos e interferir em questões muito concretas da nossa vida.

Chegamos a estas eleições em um País dividido. A polarização tomou conta das conversas, das redes sociais e, muitas vezes, até das relações entre amigos e familiares. Nesse ambiente, é fácil transformar o voto em uma maneira de derrotar o outro. Acredito que precisamos fazer justamente o contrário.
 
Nosso voto deve servir para construir, não para destruir. Precisamos votar a favor de alguém, de propostas nas quais acreditamos e de compromissos que queremos ver cumpridos. Não apenas contra aquele candidato de quem não gostamos. Em resumo: o voto não pode se reativo, deve ser construtivo.
 
E há um ponto que considero fundamental. Falamos muito sobre quem será presidente ou governador e damos pouca atenção ao Legislativo. Deputados e senadores participam de decisões que chegam diretamente ao nosso cotidiano, ao trabalho, à renda, às estradas e aos direitos de milhões de brasileiros.
 
Por isso, precisamos olhar com cuidado também para os nomes que indicamos ao Congresso Nacional. Costumamos esperar demais dos políticos. Às vezes, tratamos alguns como salvadores. Outras vezes, agimos como se todos fossem inimigos. Não deveriam ser uma coisa nem outra. Político é alguém que recebeu da população uma responsabilidade e precisa responder pelo trabalho que realiza em conformidade com o que propôs durante sua campanha.
 
No fim das contas, há algo nisso que todo trabalhador conhece bem. É levantar, trabalhar, cumprir aquilo que assumiu e entregar resultado. Quem recebe um mandato também deve ser cobrado dessa forma.
 
Falo a partir da experiência de quem representa uma categoria. Todos os dias convivemos com as necessidades dos carreteiros e sabemos que muitas delas passam por decisões políticas. Segurança nas rodovias, infraestrutura, condições dignas de trabalho e regras que afetam diretamente nossa atividade dependem também de quem ocupa uma cadeira no Legislativo.
 
Defender esses interesses exige diálogo com a política, independentemente de partido da ocasião. Nosso compromisso deve estar sempre com quem trabalha e com aquilo que pode melhorar concretamente a vida das pessoas.
 

Mas existe uma parte dessa história que cabe a cada um de nós. A democracia não termina quando apertamos a tecla ‘confirma’ na urna eletrônica. Depois da eleição, é preciso acompanhar, cobrar e lembrar aos eleitos os compromissos que assumiram. O voto é individual. Suas consequências, não.

Quando estivermos diante da urna, talvez valha trocar uma pergunta. Em vez de pensar apenas em quem queremos derrotar, devemos pensar em quem queremos colocar lá para trabalhar por nós.

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A urna não escolhe apenas quem vai ocupar um cargo. Ela define a quem entregaremos uma enorme responsabilidade pelos próximos quatro anos. E essa escolha merece ser feita de forma consciente e responsável.

Márcio Galdino é diretor regional do Sindicato Nacional dos Cegonheiros.




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