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Polícia Civil cumpre mandados em investigação sobre desvio de medicamentos no Mário Covas

Celulares, computadores e documentos foram apreendidos nesta quinta-feira (8); ação é desdobramento de apuração que levou três suspeitos à prisão em agosto

08/10/2026 | 12:37
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DGABC FOTO: Claudinei Plaza/DGABC
FOTO: Claudinei Plaza/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Polícia Civil, por meio da Operação Halteres, cumpriu 12 mandados de busca e apreensão na manhã desta quinta-feira (8) em nova etapa da investigação sobre um esquema de desvio de medicamentos de alto custo do Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André. A ação foi realizada por agentes do 1º DP (Distrito Policial) da cidade e pela CGE-SP (Controladoria Geral do Estado de São Paulo).

A ação mobilizou 70 policiais civis e 20 auditores da CGE para o cumprimento dos mandados em Santo André, São Bernardo, Capital e Mogi das Cruzes.

Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores e documentos, que serão analisados pelos investigadores. O material pode ajudar a esclarecer a participação de outras pessoas e a dimensão do esquema.

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A ação é um desdobramento da investigação que resultou na prisão de três suspeitos, dois em Santo André e um em São Bernardo, no dia 6 de agosto. Na ocasião, foram detidos o motoboy Alan Nascimento de Sá, 23 anos, a irmã dele, Viviane Nascimento de Oliveira, 35, e Alex Pastorini Rodrigues, 46, apontado pela Polícia Civil como responsável por coordenar o grupo. O trio foi liberado após a audiência de custódia e responderá em liberdade pelo crime de fraude.

Segundo a investigação, os suspeitos utilizavam processos administrativos e receituários médicos falsificados para se apresentar como representantes de pacientes e retirar medicamentos na unidade hospitalar. Entre os produtos estava a somatropina, hormônio do crescimento indicado, entre outros casos, para crianças com deficiência hormonal. De acordo com as investigações, parte dos medicamentos apreendidos teria como destino pessoas que praticam musculação.

A apuração foi iniciada quando a gerente da farmácia do Hospital Mário Covas registrou um BO (Boletim de Ocorrência) informando que uma auditoria interna identificou receituários médicos com indícios de falsificação.

Segundo o registro policial, 15 processos administrativos considerados suspeitos tiveram origem na Farmácia de Medicamentos de Alto Custo do Poupatempo de São Bernardo e, posteriormente, foram encaminhados ao Hospital Mário Covas para a dispensação dos medicamentos.

A apuração também identificou indícios de participação de funcionários terceirizados ou servidores públicos. O esquema teria provocado prejuízo de R$ 400 mil aos cofres públicos.

Na operação realizada ontem, cinco pessoas foram encaminhadas ao 1º DP (Distrito Policial) de Santo André para prestar esclarecimentos. Entre elas está a farmacêutica Samira Vicco Ribeiro, 53, presa após policiais cumprirem um mandado de busca e apreensão em seu apartamento, no bairro Vila Regente Feijó, na Capital.

No imóvel, os agentes encontraram 330 comprimidos de sulfato de morfina e 17 ampolas de tirzepatida, medicamento conhecido pelo nome comercial Mounjaro. Também foram apreendidos receituários médicos, dois carimbos, dois notebooks e três celulares.

Ainda de acordo com o BO, Samira permaneceu em silêncio durante o interrogatório e não prestou esclarecimentos sobre a origem dos medicamentos encontrados.

Ela foi autuada pelo crime de tráfico de drogas no artigo 33 e pelo artigo 273 que trata de crimes contra a saúde pública relacionados à falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produtos destinados a fins terapêuticos ou medicinais.

APURAÇÃO INTERNA

Em nota, o Hospital Estadual Mário Covas informou que os indícios de irregularidades na documentação apresentada para a dispensação de medicamentos foram identificados pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, no mês de julho, durante auditoria interna realizada na Farmácia de Medicamentos Especializados de Santo André. 

“A ocorrência não provocou desabastecimento nem interrompeu o atendimento. Os medicamentos permanecem disponíveis aos pacientes que atendem aos critérios definidos nos respectivos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas”, ressaltou a Pasta.

A secretaria destacou ainda que a unidade hospitalar segue colaborando com o fornecimento de documentos e informações técnicas e que além dos controles já existentes, foram reforçados os mecanismos de segurança em toda a rede.




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