Home Titulo Setecidades Titulo Segurança

A cada 3 horas, uma moto é roubada ou furtada na região

Especialista alerta que veículos de duas rodas são frequentemente utilizados em crimes devido à facilidade de fuga e de ocultação

10/10/2026 | 09:10
Compartilhar notícia
DGABC FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A cada três horas, uma moto é roubada ou furtada no Grande ABC. Segundo levantamento do Diário com base nos dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), foram oito ocorrências por dia na região, o que totaliza 2.023 casos entre janeiro e agosto deste ano.

Disponíveis em diferentes cores e tamanhos, as motocicletas fazem parte dos sonhos de consumo de muitos brasileiros, seja pela praticidade que oferecem no dia a dia ou pela imponência de determinados modelos. No entanto, esses veículos também podem se tornar alvos de criminosos. Um caso que ganhou repercussão foi recentemente o do GCM (Guarda Civil Municipal) de Diadema, Francisco dos Santos Silva, 55 anos, morto durante uma tentativa de roubo no bairro Eldorado no dia 30 de setembro.

No total, os transportes sobre duas rodas representam 34,7% dos crimes contra veículos no Grande ABC, atrás apenas dos carros, com 56,2% (3.276). Na comparação com o ano passado, os furtos e roubos de motocicletas caíram 24% nas sete cidades, que totalizaram 2.683 casos entre janeiro e agosto de 2025.

DGABC

Mesmo com a redução dos índices de violência, a segurança continua entre as principais preocupações dos condutores.

Na camisa, o entregador de delivery de São Bernardo, Luiz Fernando Aranha Carvalho, 42, carrega os dizeres ‘O Senhor te guardará de todo o mal’. O motoboy comentou que comprou uma moto nova há dois meses e já a equipou com alarme, rastreador e outros materiais. 

“Ficamos alerta a todo o momento, principalmente em locais com maior presença de motos. Se não tiver trava, o criminoso rouba o módulo mesmo. Sou administrador de um grupo de motoboys com cerca de 1.000 pessoas e lá todo dia um fala que sofreu isso. Sinto que, no fim do ano, fica ainda pior”, relatou. 

De acordo com o professor de Direito da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) e especialista em segurança pública, Fernando Schmidt, os infratores utilizam diversas técnicas para cometer o delito, desde a abordagem mais violenta às vítimas até ferramentas colocadas na ignição para dar partida. “Após os crimes, usam bloqueadores de sinais, conhecidos como Jammer Capetinha, que inibem a difusão dos rastreadores colocados pelas seguradoras. É uma máquina de guerra, mas hoje existe a evolução tecnológica para evitar esse sistema.”

“Alguns fatores explicam a grande quantidade de crimes contra motos na região. Uma delas é a presença massiva nas sete cidades. Elas também são usadas pelos criminosos para locomoção em outros crimes, por serem mais difíceis de identificação imediata e mais fáceis de fugir e esconder”, explicou o professor.

Há outras explicações, como o sistema de desmanche e venda ilegal de veículos. Um exemplo aconteceu na quinta-feira (8), quando a Polícia Militar estourou um local clandestino que desmontava os itens para a venda de peças em Santo André. Para entender a potência desse ramo, em dois cadernos apreendidos, a polícia encontrou o faturamento de R$ 315 mil em 34 veículos roubados ou furtados.

De acordo com o docente, quem adquire uma motocicleta roubada pode responder pelo crime de receptação, cuja pena pode variar de dois a seis anos de reclusão. “Os veículos são adulterados, enganando os possíveis compradores. Por isso, vale o lembrete: as pessoas devem procurar lojas confiáveis e, ao comprar de um particular, ter cautela, exigir a vistoria veicular e verificar a documentação de origem.”

Honda e Yamahasão as marcas mais visadas pelo crime, apontam dados

O levantamento do Diário, com base nos dados da SSP (Secretaria da Segurança Pública), apontou que as marcas Honda e Yamaha lideram os alvos de criminosos no Grande ABC.

Dos 2.023 casos entre janeiro e agosto deste ano, 1.227 foram da Honda, uma taxa de 60,6%. Já no segundo lugar aparece Yamaha, com 429 (21,2%) dos registros. 

A Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores) indicou que quatro modelos da Honda foram os mais vendidos do País no mês de setembro. A CG 160 liderou as estatísticas com 48 mil vendas.

“Tanto a Honda como a Yamaha existem em maior quantidade na rua. Adquiriram no mercado um nível de confiabilidade e credibilidade. A Honda, por exemplo, tem até um valor maior na hora de revender”, disse o professor de Direito da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo) e especialista em segurança pública, Fernando Schmidt. 

Na lista também aparecem marcas como a brasileira Dafra, com 53 roubos ou furtos, a japonesa Kawasaki com 50, e a indiana Bajaj, com 44. 

LEIA MAIS:

Santo André é 8ª em ranking de empregos no acumulado de 12 meses




Comentários

Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.


;