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O povo se reconhece em Nossa Senhora, diz teólogo

Nesta segunda-feira, católicos de todo o País celebram o dia da Padroeira com missas

12/10/2026 | 10:12
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DGABC FOTO: André Henriques/DGABC
FOTO: André Henriques/DGABC  Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Maria Aparecida Paulucci, 63 anos, carrega o nome da sua devoção: Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A moradora de São Bernardo tem como rotina orações e agradecimentos, desde as situações mais tristes até as mais alegres. Hoje, a devota faz parte do grupo de milhões de pessoas que celebram o dia da Padroeira do Brasil.

Com um terço na mão e a camisa da imagem sagrada, a frequentadora há 52 anos do Santuário Nossa Senhora Aparecida, na Paulicéia, contou que a santa é a intercessora em todos os momentos da vida, trazendo alívio para o coração nos momentos mais difíceis. “No ano passado, minha irmã passou por tratamento de câncer de mama. E a interseção Dela foi muito grande, pedia a Ela para superar tudo isso e conseguimos. Agora, só agradeço. Faz parte do meu dia.”

O sentimento é compartilhado pela moradora e aposentada Josefa da Conceição, 80. "É uma mãe tão carinhosa, e tudo que a gente precisa corre na mãe. Sempre que meus filhos saem converso "mãe, eu não posso, mas a Senhora pode. Então, tome conta"", comentou.

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Relatos como os das moradoras mostram a importância histórica da santa. A imagem ganhou o título de Padroeira do Brasil em 1930 pelo papa Pio XI, a pedido dos bispos brasileiros, conforme explicou o doutor em Ciências da Religião, Marco Brito. 

"Para a fé católica, é a própria Maria, mãe de Jesus Cristo, sob invocação nascida no Brasil. A tradição começou em 1717, quando Dom Pedro de Almeida, governador da capitania de São Paulo e Minas do Ouro, passou por Guaratinguetá a caminho das minas. A vila precisava de peixe para recebê-lo. Três pescadores lançaram as redes no Rio Paraíba do Sul e recolheram primeiro o corpo de uma imagem, depois a cabeça, e em seguida a pesca foi farta, mesmo não sendo época. O contexto histórico ajuda a entender a força dessa devoção. Era a época do ouro, da violência e do forte controle colonial. A imagem aparece no caminho da autoridade, sendo acolhida pelos pobres”, falou. 

A imagem era da própria Nossa Senhora da Conceição, feita de terracota. Pelo achado em meio à agonia e surpresa, a população adicionou o termo ‘aparecida’. Desde então, tornou-se parte do legado da população. Essa importância se mostra pelos locais. O Brasil, por exemplo, conta com um dos principais pontos de fé do mundo, o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, na cidade de Aparecida. Já no Grande ABC há seis igrejas em homenagem à santa, que vão realizar missas nesta segunda-feira (12). 

“Ela é uma santa do brasileiro comum. A devoção não nasceu de um decreto, nem começou pela Coroa ou Roma. O povo se reconhece nela porque ela começou no meio dele. Em um País, marcado pela pobreza, pela doença e pela exclusão, a figura da mãe acolhe e protege a vida das pessoas”, complementou Brito.

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