Casos de leptospirose crescem 75% e época de chuva exige cuidado
Entre janeiro e agosto, foram 21 casos da doença, contra 12 no ano passado; especialistas explicam que temporais podem piorar cenário
FOTO: DGABC

Os casos de leptospirose cresceram 75% em um ano no Grande ABC. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde, foram 21 ocorrências confirmadas entre janeiro e agosto de 2026, ante 12 no mesmo intervalo do ano passado.
Os números registrados na região neste ano já superam o total de 2025, quando foram contabilizados 15 casos. Segundo especialistas em infectologia ouvidos pelo Diário, os períodos de chuvas intensas podem contribuir para um aumento ainda mais expressivo da doença.
“A leptospirose é derivada do animal, no contexto urbano, principalmente na urina de roedores. A transmissão para o homem é feita especialmente no contato com água contaminada, especialmente em épocas de chuvas. Temos uma facilidade maior para enchentes e também para a transmissão”, comentou Inneke Marie van der Heijden, professora de Microbiologia e Imunologia do Centro Universitário FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).
“O aumento por ano é o retrato dessas mudanças climáticas. Percebemos que doenças relacionadas à transmissão hídrica ou gestão de alimentos são afetadas pelo clima irregular. No caso da leptospirose, tivemos chuvas em momentos que antes não eram esperados (em junho, por exemplo)”, acrescentou.
Na região, as duas primeiras semanas de setembro das sete cidades acumularam, em média, 257 milímetros de chuva – mais que o dobro dos cerca de 125 milímetros esperados para todo o mês. Inclusive, alguns municípios registraram pontos de alagamento durante as tempestades.
O infectologista e membro da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia), Renato Grinbaum, afirmou que as pessoas devem evitar ao máximo o contato com água contaminada, sempre com a utilização de botas, materiais impermeáveis e capas de chuva.
Contudo, os especialistas apontam que, além dessa proteção, o poder público precisa implementar estratégias de drenagem para que as chuvas não se tornem problemas de saúde pública.
Com histórico de enchentes, São Caetano trabalha, justamente, com investimentos contra o acúmulo de água. “O município conta também com o trabalho integrado da Defesa Civil e do Smart Sanca, que realizam o monitoramento permanente das condições meteorológicas, dos níveis dos rios e córregos e dos pontos considerados críticos. Estão em execução as obras do Drenar, o maior programa de combate a enchentes da história de São Caetano, que engloba a construção de piscinão no Bairro Fundação, alteamento de muro da Avenida do Estado e ampliação de galerias”, declarou a Prefeitura de São Caetano.
Já a Prefeitura de São Bernardo afirmou que a Zoonoses realiza ações de controle de roedores e vetores, conforme as demandas recebidas e as avaliações técnicas realizadas pela equipe. “As atividades incluem inspeções e ações de desratização em áreas públicas, como próprios públicos, vias, terrenos e córregos, além de orientações preventivas à população. Informamos, ainda, que, no presente exercício, foram executadas 28.534 limpezas de bocas de lobo no município”, comunicou.
Ribeirão Pires também destacou que o município realiza ações de desratização em departamentos públicos e em vias e áreas públicas, mas não em imóveis particulares.
Segundo Inneke, professora da FMABC, a população deve colaborar com o descarte correto do lixo para evitar entupimento de bueiros e a proliferação de roedores. Pensando nisso, Diadema implementou em janeiro a campanha Não Seja Porcalhão, voltada ao descarte correto de resíduos. As infrações podem resultar em multas de R$ 5.610 a R$ 22.440.
FIQUE ATENTO
Os sintomas mais comuns da leptospirose são: febre, dores musculares, dor de cabeça, falta de apetite, náuseas, vômitos, diarreia e vermelhidão nos olhos. Também podem ocorrer sintomas mais graves, como dor abdominal, tosse, icterícia, falta de ar, acometimento renal e hemorragia, podendo levar à morte. Na região, foram três casos fatais e 44 no Estado entre janeiro e agosto. No mesmo período do ano passado, o Grande ABC também registrou três óbitos.
“Se o paciente apresentar febre, deve procurar rapidamente um serviço de saúde em que a situação será avaliada, inclusive com a análise do contato com água ou lama de enchente”, alertou a Secretaria de Estado da Saúde.
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