O que pensam os influenciadores da região sobre as bets?
Criadores de conteúdo acreditam que proliferação dos jogos de azar é maléfica aos seguidores; propostas chegam a R$ 500 mil
Celso Luiz/DGABC

Nos últimos anos, as casas de apostas ganharam espaço na TV, nos campeonatos esportivos e nos outdoors. Entretanto, foi entre os influenciadores digitais que as bets se espalharam com mais força ainda. Os criadores de conteúdo alcançam milhões de pessoas, inclusive na divulgação de cassinos virtuais.
Segundo o professor de publicidade e propaganda da Umesp (Universidade Metodista de São Paulo), Fabio Eloi, os influenciadores são, de fato, uma porta de entrada para inúmeros produtos da atualidade.
“Pesquisas da empresa Youpix/Nielsen indicam que 80% dos consumidores já realizaram compras influenciadas por indicações de criadores. O movimento das bets foi causado justamente pela efetividade e pelo alcance. Quando pensamos em jogos como o ‘Tigrinho’, o influenciador pega o seguidor do próprio ambiente digital e leva para as plataformas, tornando um ponto central”, disse.
Com ao menos 1,4 milhão de dependentes em jogo no País, segundo dados recentes, e inúmeros relatos de perdas financeiras, o governo federal editou uma Medida Provisória para proibir as bets e jogos de azar eletrônicos em solo nacional no dia 25 de setembro. Desde essa determinação, discussões entre influenciadores surgiram em relação ao tema, com pontos favoráveis e contrários ao cenário. Mas o que os criadores de conteúdo do Grande ABC pensam sobre as bets?
Morador de Mauá, Márcio de Aquino Júnior, 34 anos, (2,5 milhões de seguidores), começou a gravar vídeos com seus filhos Davi, 12, e Heitor, 7, sobre a rotina de pai solo.
Por ter seu conteúdo acompanhado por muitas famílias, o mauaense afirma que nunca aceitou divulgar casas de apostas e cassinos on-line. “Comecei a gravar sem muita expectativa, mas para guardar as memórias deles. Mas aí percebi o quanto a internet poderia chegar. E nisso, fico triste por saber que pessoas que ganharam ascensão digital prejudicam os outros sem se importar”, comentou Júnior ao Diário.
Ainda segundo ele, a maior proposta recebida para divulgar bets foi de R$ 500 mil em um contrato para três postagens por semana durante seis meses.
A opinião também é compartilhada pela atleta e influencer fitness vegana de São Bernardo, Carol Gouveia, 26, (240 mil seguidores). “Gravo meus treinos, aulas de idioma e sobre consciência política. Achei a decisão muito acertada pelo governo. As bets foram responsáveis pelo endividamento de famílias, além dos problemas mentais. Sou contra essas empresas, porque nenhuma é alinhada com justiça social, exclusão da desigualdade, educação e saúde de qualidade”, falou.
Logo que a proibição foi assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a influenciadora de São Caetano, Liz Macedo, 16, (14,6 milhões de seguidores), comentou nas redes sociais sobre as propostas recebidas. “Nunca vou me esquecer de receber uma de R$ 500 mil por mês. Só que aceitar isso nunca passou pela minha cabeça, porque esse dinheiro ia chegar pela tragédia e infelicidade do outro”, comentou.
Na visão de uma pessoa que já divulgou as bets, Malévola Alves, 22, (1,4 milhão de seguidores), a proibição não irá afetar sua vida. “Com 15 anos, já ganhava R$ 10 mil por mês com publicidade. Então, não é porque não tem ‘tigre’ que vou deixar de viver”, falou a são-bernardense.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.
Santo André 20° C
Rio Grande da Serra 20° C
