Registros de câncer de próstata apresentam queda de 73% nas sete cidades
Médicos alertam para diagnóstico tardio; de janeiro a julho são 54 casos, contra 203 em igual período de 2025
FOTO: Freepik (imagem ilustrativa)

O número de moradores da região diagnosticados com câncer de próstata caiu 73% em um ano. De acordo com dados do DataSUS, de janeiro a julho deste ano, o Grande ABC teve 54 casos, ante 203 em igual período de 2025. Em relação a 2023, com 380 registros, a queda foi de 85,78%.
O coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU (Sociedade Brasileira de Urologia), Fernando Korkes, explica que a queda não representa um cenário positivo e que vários fatores influenciaram nos números. “Na minha impressão, é um dado negativo. Aqui no Grande ABC percebo que há muito diagnóstico tardio, o que acontece em todo o Brasil”, afirma o médico.
O diretor da SBOC (Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica), André Deeke Sasse, avalia que a redução de casos de câncer de próstata é preocupante. “Isso significa que os homens têm feito menos exames e que há uma diminuição dos diagnósticos precoces”, aponta.
Fernando Korkes, que atua na Fundação do ABC, acrescenta que a pandemia da Covid-19 também impactou a quantidade de registros ao longo dos últimos anos. “Após a pandemia houve um aumento expressivo de casos, mas com diagnósticos mais tardios”, ressalta.
A detecção precoce da doença é essencial para a cura, tema destacado pela campanha mundial Novembro Azul, que alerta para a necessidade do acompanhamento anual a partir dos 50 anos.
No Grande ABC, 53,7% (29) dos casos ocorreram em homens entre 60 e 69 anos e outros 37% (20) na faixa etária de 70 a 79. Não há registros na região abaixo dos 50 anos.
“Os exames preventivos são importantes porque o câncer de próstata, normalmente, não traz sintomas, somente quando está em uma fase muito avançada”, alerta Fernando Korkes. “Quando detectado no começo, a chance de cura é enorme, mais de 90%. É por isso que ressaltamos em campanhas a importância do diagnóstico precoce”, enfatiza.
André Deeke Sasse ressalta que a campanha Novembro Azul é importante para lembrar os homens da importância dos exames, pois há uma resistência por parte da população masculina. “Eles ainda têm bastante dificuldade de realizar o exame. Muitos às vezes fazem, mas não retornam ao médico”, revela.
EXAMES
O diagnóstico precoce é feito pela combinação de dois exames, do toque retal e do PSA (Antígeno Prostático Específico), exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida quase exclusivamente pelas células da próstata.
“Existem alguns casos em que o PSA pode estar normal, mas o câncer pode aparecer. Por isso o toque retal é importante. Também acontece o contrário, o toque retal normal, porém, o PSA elevado”, explica o diretor da SBOC André Deeke Sasse.
A alteração em ambos os exames não possibilitam o diagnóstico final, apenas indica uma suspeita. Diante de um resultado positivo, é necessário, geralmente, fazer uma biópsia. Ultrassom, tomografia ou ressonância magnética também auxiliam neste processo.
“Quando fazemos o diagnóstico, dividimos os casos em risco baixo, intermediário ou alto. Os casos de baixo risco geralmente são os casos que têm mais chance de cura, em torno de 95% Nos casos de risco alto, ou quando a doença já está fora da próstata, ou quando a biópsia indica um tumor de muita agressividade, a chance diminui bastante”, esclarece Sasse.
Em todo Brasil, cerca de um terço dos casos levam a óbito, segundo o oncologista. “Isso indica que não estamos curando todos os pacientes que precisávamos, talvez as campanhas de conscientização precisem ser mais incisivas para justamente poder fazer mais diagnósticos precoces e curar mais pacientes”, opina o diretor da SBOC.
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