Da tabuada na corda às descobertas no jardim: como a Villare transforma o tempo integral em experiências de aprendizagem

Em São Caetano do Sul, escola aposta em projetos de investigação, oficinas culturais e brincadeiras para ampliar o repertório das crianças durante a jornada escolar

Crianças na escola
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A EXPERIÊNCIA DO TEMPO INTEGRAL

Uma brincadeira de pular corda ajuda a aprender a tabuada. No jardim, plantas que apresentam sinais de problemas despertam a curiosidade de uma turma do 2° ano, que começa a investigar o que está acontecendo e acaba produzindo inseticidas naturais. Em outra atividade, crianças do 3o ano estudam o Cerrado e representam sua fauna e flora por meio do bordado. Na Escola Villare, em São Caetano do Sul, experiências como essas fazem parte do período integral, que reúne atividades pedagógicas, culturais e artísticas em uma rotina planejada para cada etapa da infância.

A proposta ganha especial relevância nesta época do ano, quando as famílias começam a escolher a escola dos filhos para 2027. Para quem precisa conciliar os horários de trabalho com a vida escolar das crianças, a jornada ampliada costuma ser uma necessidade. A decisão, porém, envolve conhecer o que acontece durante esse tempo, quais experiências são oferecidas e como a escola organiza os momentos de estudo, alimentação, brincadeira e descanso.

Na Villare, a jornada pode se estender das 7h às 19h. A coordenadora do Integral, Tuana Emily Adriani de Almeida, explica que a programação busca ampliar as oportunidades de aprendizagem sem reproduzir as atividades do período regular. “Quem é do integral ganha esse repertório sem invadir o conteúdo do regular”, afirma.

O repertório a que ela se refere inclui experiências com música, dança, artes, literatura, esportes, culinária e projetos que nascem da curiosidade das crianças. A organização das atividades considera os interesses dos grupos e as possibilidades de exploração de cada faixa etária.

“A gente tem um currículo vivo”, resume Tuana.

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Quando uma pergunta vira projeto

Foi a observação de plantas doentes que levou os estudantes do 2o ano a investigar possibilidades de tratamento e produzir inseticidas naturais. O projeto envolveu pesquisa, levantamento de hipóteses e experimentação, a partir de uma situação encontrada no próprio ambiente escolar.

Em outra atividade, o estudo do Cerrado ganhou forma em bordados produzidos pelos alunos do 3o ano. A proposta reuniu conhecimentos sobre a natureza, observação de espécies, habilidades manuais e expressão artística.

As experiências ajudam a explicar como a Villare trabalha com projetos que permitem às crianças explorar assuntos por diferentes caminhos. Uma investigação pode envolver leitura, pesquisa, registro, criação artística e discussão coletiva, conforme as questões que surgem durante o percurso.

Para Ernani Soares de Paula, diretor pedagógico da Villare, a ampliação dessas experiências tem um papel importante na formação dos estudantes. “O integral é organizado a partir de experiências”, afirma. Ao comentar os resultados desse trabalho, ele destaca que “o repertório das crianças vai lá em cima”.

As oficinas também ocupam um lugar importante na programação. Dança, judô, yoga, música, pintura, culinária e dobradura estão entre as atividades desenvolvidas no Integral. No Ensino Fundamental, elas convivem com propostas de acompanhamento escolar e jogos que ajudam a trabalhar conteúdos de diferentes áreas.

Uma brincadeira com corda, por exemplo, permite exercitar a tabuada enquanto as crianças se movimentam. Jogos e gincanas de língua portuguesa criam oportunidades para trabalhar leitura, escrita e alfabetização.

“As oficinas são o que mais brilham os olhos no integral do fundamental”, conta Tuana.

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Tempo de brincar, experimentar e descansar

Na Educação Infantil, a rotina é construída em torno das necessidades das crianças pequenas. Histórias, faz de conta, exploração da natureza, atividades artísticas e brincadeiras convivem com os momentos de alimentação e sono.

O brincar livre também tem espaço nessa organização. A criança pode escolher uma atividade, explorar materiais, inventar uma brincadeira ou simplesmente observar os colegas. A equipe acompanha essas situações e intervém quando necessário.

“Brincar livre ainda é um desafio”, reconhece Tuana, ao abordar a importância de preservar momentos em que as crianças possam conduzir suas próprias experiências.

A atenção aos ritmos individuais continua ao longo da jornada. Depois das 17h30, por exemplo, a programação privilegia atividades livres, jogos, convivência e descanso. O jantar também integra a rotina.

“Eles podem escolher deitar no tapete e descansar”, exemplifica a coordenadora.

O cuidado com a alimentação aparece ainda em projetos que convidam os estudantes a conhecer ingredientes, plantar sementes, preparar massas e experimentar sabores. A cozinha e o jardim se tornam espaços de investigação, nos quais as crianças observam transformações, descobrem texturas e participam do preparo dos alimentos.

“Alimentação tem que ser uma experiência polissensorial”, diz Tuana.

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Aprender a conviver também faz parte da rotina

Passar mais tempo na escola significa compartilhar experiências com outras crianças em situações que exigem diálogo, negociação e cooperação. Nas oficinas e brincadeiras, surgem oportunidades para combinar regras, dividir materiais, fazer escolhas e resolver conflitos.

A autonomia se desenvolve nessas pequenas decisões do cotidiano, acompanhadas pela equipe pedagógica. Ao participar de um projeto coletivo, por exemplo, a criança precisa ouvir os colegas, apresentar ideias e encontrar caminhos para realizar o que foi planejado.

Ernani considera esse processo parte da formação dos estudantes. Ao falar sobre a responsabilidade progressiva das crianças e dos adolescentes, costuma sintetizar a postura dos educadores em uma frase: “Eu te amo, mas esse pedaço é teu”.

A ideia é que os alunos assumam responsabilidades compatíveis com sua idade, contando com a orientação dos adultos quando necessário. A comunicação com as famílias acompanha esse trabalho. Por meio do informativo semanal Destaques do Integral, a escola compartilha projetos e atividades realizados pelos estudantes, permitindo que os responsáveis conheçam as experiências vividas durante a jornada.

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A escolha da escola para 2027

Com a abertura do período de matrículas, conhecer a rotina do integral ajuda as famílias a avaliar a proposta pedagógica e a organização do dia dos filhos.

Na visita à escola, é possível observar os espaços utilizados pelas crianças, conversar com a equipe responsável e compreender como são distribuídas as atividades, as refeições e os momentos de descanso. Também vale conhecer os projetos realizados e entender como o período integral se articula às aprendizagens desenvolvidas nas aulas regulares.

Na Villare, a proposta reúne experiências de investigação, arte, movimento, alimentação e convivência em uma programação que acompanha as diferentes etapas do desenvolvimento infantil.

Para Ernani, esse trabalho expressa uma preocupação presente na concepção pedagógica da escola: oferecer oportunidades para que os estudantes participem ativamente de suas aprendizagens, explorem interesses e construam conhecimentos a partir das experiências que vivem.