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Pistas da Imigrantes refletem mudanças, de Geisel à democracia

Da primeira via, entregue por presidente militar em 1976, à segunda, aberta em 2002, País mudou de regime e de rumos

Vivian Helen
28/11/2025 | 07:30
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FOTO: Luciano Vicioni 17/12/02
FOTO: Luciano Vicioni 17/12/02 Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


A Rodovia dos Imigrantes, principal elo entre a Região Metropolitana de São Paulo e o Litoral paulista, opera atualmente com duas pistas independentes por sentido, planejadas para melhorar o fluxo e reduzir riscos em um dos corredores mais movimentados do País. 

A primeira pista, inaugurada em 28 de junho de 1976, marcou uma nova etapa no acesso ao Litoral, garantindo mais segurança e rapidez. Já a pista descendente, aberta em 17 de dezembro de 2002, ampliou a capacidade do sistema e modernizou o transporte de passageiros e cargas, fortalecendo o desenvolvimento da Baixada Santista e aprimorando o planejamento logístico regional.

O Diário acompanhou cada fase, registrando as inaugurações e os impactos diretos na mobilidade, no transporte de cargas, no turismo e na rotina de quem circula entre o planalto e o mar. As coberturas do jornal também registram o País em dois momentos distintos: durante a ditadura militar e, 16 anos depois, um Brasil com diversos desafios, mas democrático.

Na edição de 29 de junho de 1976, a reportagem destacou os imprevistos na entrega da nova rodovia, realizada sob chuva fina e persistente, que alterou o cerimonial da visita do presidente militar Ernesto Geisel (1907-1996). 

A reportagem registrou que o presidente cumpriu agenda extensa, incluindo compromissos em Santos, assinatura de protocolos com municípios da Baixada e encontros com políticos, sindicalistas e estudantes.

Geisel esteve acompanhado por quatro ministros e pelo governador Paulo Egydio Martins, reforçando o caráter estratégico da obra. 

Sem discurso oficial, limitou-se a um breve comentário a lideranças classistas, defendendo maior participação dos trabalhadores na vida sindical e política, raridade em um período de forte controle institucional.

A cobertura destacou também um episódio incomum: para acelerar o deslocamento até o Litoral, a comitiva presidencial desceu a pista ascendente da Imigrantes na contramão, após Geisel optar por seguir de carro entre Congonhas e Santos. 

À época, a engenharia da Serra do Mar chamava atenção pelos túneis e viadutos erguidos em terreno de relevo complexo, elementos que consolidariam a relevância da obra viária.

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SEGUNDA PISTA

Na edição de 16 de dezembro de 2002, o Diário anunciou que a segunda pista da Imigrantes seria inaugurada no dia 17, com pedágio fixado no valor de R$ 9,60. A reportagem detalhou quatro anos de obras, cerca de 19 mil trabalhadores envolvidos direta ou indiretamente e investimento superior a R$ 870 milhões. 

A cerimônia contou com a presença do governador Geraldo Alckmin (então no PSDB) e da diretoria da concessionária Ecovias, que destacaram os desafios técnicos na Serra do Mar, como escavações profundas e túneis de grande extensão.

A nova pista incluiria três faixas adicionais, ampliando a fluidez e reduzindo congestionamentos históricos, sobretudo no verão. 

A extensão total de 29 quilômetros reunia oito quilômetros já existentes e novos trechos no Planalto, Baixada Santista e Serra do Mar, com três túneis somando 8 quilômetros e cinco viadutos projetados para garantir segurança ao tráfego.

Com a ampliação, a capacidade do Sistema Anchieta–Imigrantes subiu de 8 mil para 14 mil veículos/hora, permitindo organizar o fluxo com sete faixas de descida e três de subida durante picos. 

A reportagem também ressaltou os benefícios para motoristas e transportadores de carga, que passaram a contar com trajetos mais previsíveis, menor risco de acidentes e redução do tempo de viagem. 

A pista consolidou a Imigrantes como uma das rodovias mais modernas do País e peça fundamental para a economia paulista.




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