De janeiro a junho Entre janeiro e junho, foram registrados 53 casos de acidentes em estruturas de fornecimento de energia, aumento de 66% em um ano
FOTO: Denis Maciel

Bairros do Grande ABC já ficaram cerca de 11 horas e 50 minutos sem energia devido às colisões de veículos contra postes de fornecimento entre janeiro e junho de 2026. Segundo dados da Enel-SP, concessionária responsável pelo abastecimento da rede elétrica na região, seis cidades contabilizaram 53 ocorrências no período. O número é 66% maior do que o mesmo período de 2025, quando foi registrado 32 casos.
Segundo a empresa, mesmo com um número maior de notificações, o período de resposta vem diminuindo. No ano passado, a região chegou a ter o tempo de interrupção do fornecimento de energia por cerca de 12 horas e 15 minutos devido a batidas em estruturas.
São Bernardo liderou o número de casos, com 20 registros no período. Em seguida aparecem Santo André, com 12 acidentes, Mauá (8), Diadema (6), São Caetano (5) e Ribeirão Pires (2). Já Rio Grande da Serra não teve nenhuma ocorrência no período.
Além da interrupção no fornecimento de energia, a concessionária destacou outros impactos provocados por esse tipo de ocorrência, como o risco à vida de motoristas e pedestres, além da necessidade de reconstrução da rede elétrica e da estrutura danificada no local.
“Ressalta-se que ocorrências envolvendo colisões contra postes tendem a apresentar tempos médios de restabelecimento superiores aos de outras ocorrências, em razão da complexidade dos serviços necessários”, explicou a Enel, que também comunicou que os custos de operação podem sair do próprio bolso do autor do acidente a depender das circunstâncias do caso e os materiais destruídos são enviados para reciclagem ou reaproveitamento de construções civis.
O engenheiro eletricista e ex-embaixador de Inovação da Enel, Clay Martins, explicou que os postes possuem uma estrutura completa da rede com, por exemplo, transformadores, chaves, painéis de comando e controle, banco de capacitores, reguladores de tensão e outros. Sendo assim, uma colisão pode danificar toda essa conexão, prejudicando a interligação do cliente.
“O reparo depende muito do tamanho do dano causado ao poste, estrutura e equipamentos, sendo também necessário avaliar as condições do trânsito. Para uma condição de risco elevado de queda e rompimento de cabos, há o desligamento emergencial para reparo da rede e troca da estrutura”, relatou Martins.
Para solucionar esse tipo de problema, o especialista afirma que alguns países adotam redes subterrâneas de distribuição de energia elétrica. “Esse modelo é imune não só ao choques de veículos, mas também a queda de árvores, corte de cabos por linhas de pipas e menos suscetíveis ao vandalismo de pessoas e ações climáticas. Contudo, as redes subterrâneas não são o único meio de evitar colisões com postes, sendo necessário avaliar reincidências, localização dos postes atingidos e estudar soluções estratégicas, como substituição dos postes, redução de velocidade em pontos críticos, entre outras soluções”, sugeriu Clay Martins.
PROBLEMAS
Segundo o professor da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e consultor de trânsito, Creso Peixoto, a imprudência ao volante é o principal fator dessas colisões, como uso de bebida alcoólica, celular e excesso de velocidade.
“Há uma cultura que minimiza a importância de adotar comportamentos seguros no trânsito. Ainda faltam fiscalização efetiva e ações de conscientização para evitar que estatísticas como essas continuem crescendo. Muitas pessoas enxergam a multa apenas como uma forma de arrecadação, sem compreender seu papel na prevenção de acidentes. A percepção de que não há problema em dirigir em alta velocidade ou após consumir bebida alcoólica persiste até o momento em que a imprudência resulta na perda do controle do veículo e provoca um acidente”, comentou o especialista.
Não encoste nos fios, alerta especialista
Em ocorrências que envolvem postes de energia, é comum que cabos elétricos caiam e fiquem espalhados pelo solo, aumentando o risco de acidentes. Diante desse cenário, o engenheiro eletricista e ex-embaixador de Inovação da Enel, Clay Martins, faz um alerta sobre os cuidados que devem ser adotados nessas situações.
“O primeiro passo é se afastar, com cuidado, da rede elétrica e avisar a empresa de energia. Lembrando que, nestes momentos, podemos ter cabos, equipamentos soltos e até o piso energizado, conduzindo eletricidade e podendo causar choques”, comentou o especialista.
Já para as pessoas no interior do carro acidentado, a recomendação é não sair do veículo em caso de fios sobre a lataria. “O automóvel se comportará como um bloqueio de campo elétrico, protegendo e evitando o choque de quem está dentro. Importante é não tocar nas partes metálicas, porque caso a pessoa tente sair do veículo pode realizar conexão de energia”, acrescentou.
Para ocorrências mais graves, como esmagamento ou incêndio, a população deve acionar o Corpo de Bombeiros pelo 193.
A Enel também deve ser chamada em casos de colisões de potes pelo contato por telefone 0800 72 72 196.
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