Aniversário Gestores destacam importância de difundir o assunto e revelam maior cobrança após série
ARTE: Seri

Compromisso e defesa do cuidado com a mente dos moradores do Grande ABC. Com esse objetivo, o Diário lançou a campanha Nossa Saúde Mental, que completa um ano de existência nesta segunda-feira (13). Durante esse período, a série de reportagens ampliou o debate regional entre órgãos públicos, setor privado, representantes do parlamento e sociedade civil.
A importância de difundir o tema de forma recorrente se mostrou evidente nos números apresentados. De acordo com seis prefeituras da região, foram registrados 437.271 atendimentos voltados à saúde mental nos municípios entre o início da campanha, em abril de 2025 e março deste ano. O total é ainda maior, já que Santo André não enviou os dados.
A alta demanda se reflete na necessidade de investimentos e reflexão para as administrações. A Prefeitura de Diadema, por exemplo, aumentou em 86% o valor de aporte financeiro para a área no período. Entre abril de 2025 e março deste ano foram R$ 17,9 milhões, contra R$ 9,6 milhões nos 11 meses anteriores.
O secretário da Saúde da cidade, Antonio Carlos do Nascimento, declarou que a campanha ajudou a elucidar caminhos. “É importante ampliar a discussão pública para reduzir o estigma. Sabemos o quanto a saúde mental impacta na qualidade de vida e na capacidade do ser humano de produzir suas relações. Não tenho dúvidas de que a ajuda da campanha foi expressiva. A iniciativa expõe deficiências que existem no atendimento das nossas sete cidades”, afirmou. Segundo o secretário, as matérias ajudam a pressionar o poder público.
Como uma das conquistas concretas da série, Diadema anunciou a criação de um Centro TEA (Transtorno do Espectro Autista) em dezembro de 2025, com conclusão para daqui dois anos. O investimento estimado para a construção do Centro foi de R$ 10 milhões, com metade do valor viabilizado por emenda parlamentar do deputado federal Alex Manente (Cidadania). Parlamentares com base eleitoral no Grande ABC também identificaram a prioridade de dar maior atenção ao tema.
“Saúde mental é uma necessidade do poder público. Cada vez mais precisamos investir para que ela possa trazer um resultado a toda sociedade”, disse o parlamentar. Em maio do ano passado, Manente anunciou em entrevista ao Diário o aporte de R$ 36 milhões do Orçamento da União para aplicar em projetos ligados à saúde mental.
O deputado estadual Thiago Auricchio (PL) informou que, desde o início do mandato, destinou cerca de R$ 8,7 milhões em emendas parlamentares para construção do Complexo da Pessoa com Deficiência de São Caetano, Apae (Associação de Pais e Amigos Excepcionais) e também ONGs (Organizações não Governamentais). “São instituições que fazem a diferença todos os dias, especialmente no cuidado. Investir nessa área e inclusão é garantir respeito, oportunidade e um futuro mais justo para todos.”
O deputado estadual Atila Jacomussi (PRD) destacou a apresentação de três PLs (Projetos de Lei) em 2025, com foco na prevenção ao suicídio. Já o deputado estadual Luiz Fernando (PT) ressaltou a apresentação de cinco PLs sobre o tema no ano passado.
Para o deputado federal Fernando Marangoni (Podemos), um dos focos deste ano será o Estatuto do Autista, projeto que busca reforçar a atenção às pessoas com autismo. Em São Bernardo, o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que cerca de R$ 4 milhões por mês são investidos na área. “A Nossa Saúde Mental fez, ao longo da jornada, a gestão olhar todas as populações que estão acometidas e que necessitem de acolhimento. Acho que mais do que a cobrança, existe a oportunidade das pessoas lerem e identificarem o contexto”, concluiu.
TEA, violência psicológica e Caps são temas abordados
Durante a campanha, diversos temas foram abordados em diferentes editorias do jornal. Segundo levantamento, cerca de 60 reportagens destacaram a importância da saúde mental e apontaram desafios nas sete cidades.
Logo na primeira reportagem da série, o Diário mostrou o sentimento dos moradores do Grande ABC sobre a falta de atendimento de melhor qualidade e a necessidade de um olhar mais atento ao cuidado. O TEA (Transtorno do Espectro Autista) foi colocado como um dos principais temas.
Além disso, as matérias abordaram a violência psicológica contra a mulher, fator que afeta diretamente o estado das vítimas. Esse tipo de violência, muitas vezes invisível ou deixado em segundo plano, pode causar impactos tão graves quanto agressões físicas. Em 2025, por exemplo, foram 65 denúncias de violência psicológica no Grande ABC, segundo dados do Disque 100.
Como um dos principais serviços públicos de acompanhamento e tratamento da saúde mental, os CAPS (Centros de Atenção Psicossocial) também foram destaques das reportagens. Os espaços atendem diferentes públicos, transtornos e faixas etárias e oferecem consultas gratuitas, atividades recreativas e em grupo, além de tratamento especializado e atendimentos individuais.
Para as pessoas que procuram ajudar o próximo, a campanha também observou um aumento. A busca pelo curso de Psicologia cresceu 52% em dois anos no Grande ABC. No ano passado foram 3.243 inscritos contra 2.136 em 2023.
Atenção! Os comentários do site são via Facebook. Lembre-se de que o comentário é de inteira responsabilidade do autor e não expressa a opinião do jornal. Comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros poderão ser denunciados pelos usuários e sua conta poderá ser banida.