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Analistas observam com otimismo mudanças no controle da Braskem

Ex-Odebrecht decidiu por transferir ações para fundo Shine I, especialista em reestruturação, e processo levará 30 dias

Beatriz Mirelle
20/04/2026 | 20:00
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Denis Maciel/DGABC
Denis Maciel/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


 A Braskem informou nesta segunda-feira (20) que a Novonor (ex-Odebrecht) assinou contrato para vender o controle da petroquímica ao fundo Shine I, assessorado pela gestora IG4 Capital. A mudança, anunciada internamente na sexta-feira (17), deve ser concluída em 30 dias - período para o fechamento de acordo com a outra acionista, a Petrobras. Neste prazo, o novo conselho de administração e a nova diretoria executiva para a companhia serão escolhidos.

Segundo a Braskem, a transação de transferência das ações prevê governança equilibrada entre os novos controladores e a estatal. “Há obrigação de obtenção de consenso nas deliberações em todas as deliberações do Conselho de Administração e da Assembleia Geral e o direito à indicação, pelas partes, de número igual de membros para o Conselho de Administração e a Diretoria Estatutária”, apontou a Braskem. A Novonor informou que a assinatura do contrato “marca o encerramento de um ciclo de décadas de investimento na construção de uma das petroquímicas mais relevantes do mundo, em parceria com a Petrobras”. 

“Essa transação é uma venda real de participação acionária, não apenas contratação de um gestor externo. A Novonor sai do controle e ocorre a transferência de 50,1% das ações ordinárias e 34,3% do capital total da Braskem para esse novo controlador. A Novonor ainda vai ficar titular de 31,9 milhões de ações preferenciais da Braskem (4% do capital total), mas sem direito de governança”, explica Beny Fard, sócio da B8 Partners, especialista em investimentos e negócios internacionais.

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O acordo de transferência foi firmado pelo FIDC Shine, detentor de créditos garantidos por ações ordinárias e preferenciais da Braskem, de titularidade da NSP Investimentos S.A., do Grupo Novonor. De acordo com o especialista, o mercado reagiu bem à notícia. As ações da Braskem atingiram alta de 5% nesta segunda e fecharam o pregão com aumento de 1,47%. 

“A leitura é de um alívio estrutural, que coloca fim em um ciclo de anos de incertezas sobre o controle da empresa, que teve a imagem manchada pela Lava Jato (operação que investigou crimes de corrupção ativa e passiva, gestão fraudulenta etc.). A Novonor sai desse limbo e entra uma investidora experiente em reestruturação”, detalha Fard.

Para Rodrigo Rios, CEO da LR3 Investimentos, a mudança do controle é um divisor de águas. “Depois de anos carregando o peso de problemas financeiros e reputacionais, a empresa finalmente abre espaço para uma nova fase, com outro perfil de gestão. A Braskem continua com desafios pesados: dívida relevante, margens apertadas e passivos que ainda geram incerteza. A entrada de um fundo com foco em reestruturação traz uma expectativa clara: destravar valor.”

O analista CNPI (Certificado Nacional do Profissional de Investimento) da Cultura Capital, Gabriel Uarian, destaca que as incertezas foram ligadas à recuperação judicial da antiga Odebrecht e um novo controlador traz foco em eficiência operacional. “O fato da Petrobras permanecer como sócia relevante e co-controladora, com um novo acordo de acionistas em vista, dá estabilidade ao processo e evita rupturas bruscas.”




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