Oportunidade Grupo de Santo André está na fase final da Olímpiada Sem Fronteiras 2026, disputada na França
Nario Barbosa/DGABC

Se a matemática fosse um jogo, oito alunos de Santo André já estariam perto de conquistar uma taça. Entre contas, desafios e muito trabalho em grupo, estudantes da Escola Il Sole se tornaram finalistas da Olimpíada Matemática Sem Fronteiras e agora se preparam para uma viagem especial: representar o Brasil na etapa mundial, entre os dias 3 e 7 deste mês, em Salon-de-Provence, na França.
O grupo é formado por Vinícius Erharter Garcia, Gabriel Pinheiro da Cruz, Alice Dias Liberali Santos, Luiza Lopes Coqueiro, Olivia Gravalo Pereira, Rafaela Ribeiro Postulo, Romeo Moccero Mello e Miguel Vieira Roberto. Com idades entre 10 e 12 anos, eles dividem algo em comum: o gosto pelos desafios e pela matemática.
Para Vinícius Garcia, 11 anos, a relação com os números sempre foi natural. “Matemática sempre foi algo com o qual eu me dei bem, nunca tive muita dificuldade, acho que consigo lidar bem com isso e, por isso, acabei gostando cada vez mais”, contou.
Já para Alice Santos, 11, o interesse cresceu com o tempo e com as conquistas. “Sempre gostei, mas quando ganhei minha primeira medalha, no ano passado, comecei a gostar muito mais. Acho que isso deu uma nova motivação para continuar”, afirmou.
A classificação para a final mundial veio após um desempenho de destaque. Os estudantes do 4º e 5º ano conquistaram medalha de ouro na fase nacional, garantindo o convite para a competição fora do País. Agora, o desafio é ainda maior e além de resolver contas, eles precisaram mostrar raciocínio lógico, criatividade e, principalmente, trabalho em equipe.
E é justamente o desempenho em grupo um dos diferenciais da Olimpíada Sem Fronteiras. Ao contrário de provas tradicionais, os desafios são resolvidos em conjunto.
Por sua vez, Gabriel da Cruz, 11, destaca esse lado diferente da matemática. “Gosto muito da lógica e dos enigmas. Tem questões que você precisa pensar fora da caixa para resolver, e ao mesmo tempo, seguir um padrão. Isso que eu acho mais legal”, explicou.
A preparação para a viagem também exigiu dedicação. Nas últimas semanas, os estudantes passaram horas a mais na escola, participando de treinos, ensaios e montagem de projetos.
Luiza Coqueiro, 11, conta como foi essa rotina de preparação. “Teve dia que a gente ficou das 14h às 18h treinando. A gente fazia exercícios, preparava a apresentação, pensava nos detalhes”, disse.
Na França, a programação será dividida em etapas. Em um dos dias, os alunos apresentam um estudo sobre o famoso engenheiro francês Adam de Craponne. Em outro, participam da prova em grupo. Também terão que mostrar um projeto matemático desenvolvido por eles, inspirado na distribuição de água, com uma maquete que simula o Rio São Francisco. Todas as atividades serão em inglês.
Mesmo com a responsabilidade, o clima entre os pequenos é de ansiedade e empolgação. Rafaela Postulo, 10, admite o nervosismo, mas também a alegria. “Eu estou muito ansiosa e nervosa também. Dá aquele frio na barriga, porque é uma coisa importante, mas ao mesmo tempo é muito legal participar de tudo isso”, contou.
Além da competição, a viagem é uma oportunidade única de estar em outro país, vivendo novas experiências. Olivia Pereira, 11, faz planos. “Quero conhecer bastante coisa, ver a arquitetura, visitar a Torre Eiffel, e quem sabe até subir nela. Sempre achei muito bonito. Estou animada para ver tudo de perto”, afirmou.
Fora da sala de aula, eles são como qualquer outra criança: gostam de esportes, videogame, séries e desafios como o cubo mágico, por exemplo. Mas, quando o assunto é matemática, Romeo Mello, 10, deixa um recado para quem acha a matéria difícil. “Acho que tem que se esforçar, porque quando você começa a melhorar, fica feliz com o que consegue fazer. Aí você começa a gostar de verdade”, disse.
Agora, com as malas prontas e as equações frescas na memória, o grupo leva na bagagem o conhecimento, e já reservou espaço em uma mala para possível medalha mundial.
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