Parque Capuava Estabelecimento já havia sido fechado em setembro de 2024; responsáveis alegam que seguem todas as normas sanitárias
FOTO: Celso Luiz/DGABC

Moradores do Parque Capuava, em Santo André, relatam mau cheiro constante, barulho noturno e suspeitas de descarte irregular de resíduos em um frigorífico localizado na Rua Indonésia. Vizinhos afirmam conviver com o odor forte e incômodo frequente nas proximidades do estabelecimento Nações Alimentos.
O local já havia sido alvo de ação policial em setembro de 2024, quando foi fechado após a constatação de armazenamento de carnes em condições inadequadas.
Na ocasião, de acordo com a Polícia Civil, os responsáveis do local, Marcela Regina Paiva de Andrade, 32 anos e Ricardo Felicio Capuano, 49, foram presos por crime contra a saúde pública, além de fraude processual e furto qualificado de energia.
Moradores relatam que os problemas persistem mesmo após a reabertura do espaço. A dona de casa Sueli da Costa Luciano, 64, afirma que o odor é recorrente. “Quando a gente passa ali, sempre dá aquele fedor”, diz. Já o aposentado Ademir Aparecido, 69, reforça a queixa e aponta mudanças na rotina do local ao longo dos anos. “Antigamente com o outro dono não tinha fedor, nada. Trabalhava normalmente”, afirma Aparecido.
Segundo os vizinhos, além do cheiro, há incômodo com ruídos durante a noite. “O barulho dessas máquinas é a noite inteira. Tem vizinho que foi embora porque não aguentava”, afirma Sueli. Eles também mencionam episódios anteriores de descarte irregular. “De vez em quando tem uns lixos podres lá, já vimos sim”, acrescenta a dona de casa.
O gerente do frigorífico, Ricardo Felicio Capuano, nega irregularidades e afirma que a empresa segue todos os protocolos exigidos. Segundo ele, o mau cheiro relatado pode estar relacionado a falhas pontuais na coleta de lixo, especialmente em períodos de feriado. “Não existe lixo cheiroso, mas a gente toma todo o cuidado para não deixar nada sujo. Teve feriado do Dia do Trabalhador e a coleta mudou, isso acabou acumulando mais lixo do que o normal”, explica.
Capuano afirma que o estabelecimento não realiza abate, mas sim processamento de carne já congelada, como produção de hambúrgueres e outros derivados. Ele também diz que o descarte de materiais fora do padrão é feito por empresa especializada, com documentação. “Temos nota fiscal, controle de pesagem, temos toda documentação, tudo dentro das regras”, garante.
Ele também ressalta que enfrenta problemas com dois vizinhos que frequentemente acionam órgãos para fazer denúncias, as quais, segundo Capuano, nunca resultaram na comprovação de irregularidades.
Sobre a ação policial de 2024, o gerente afirma que o funcionamento foi retomado rapidamente após procedimentos de higienização. “Não houve embargo de licença. Foi solicitado pela Polícia Civil a presença dos órgãos responsáveis. Ficamos fechados dois dias para a limpeza. Realizamos tudo que foi pedido e já estávamos autorizados a funcionar depois”, diz.
Em nota, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) esclarece que o local já havia sido alvo de denúncia por ruído em 2024, mas sem constatação de irregularidades. Segundo o órgão, também não há registros de autuações relacionadas ao endereço.
Ainda de acordo com a autarquia, durante vistoria realizada nesta terça-feira (5), não foram encontrados indícios de descarte irregular ou qualquer situação passível de autuação. O frigorífico está fechado para reforma e deve ser reaberto no dia 11, segundo comunicado da empresa.
“A Secretaria de Saúde, por meio da Vigilância à Saúde, informa que não realizou interdição no local. Por se tratar de um frigorífico, é licenciado e regulado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Governo do Estado de São Paulo, que realizou a interdição em 2024. Não houve registro de denúncias recentes sobre o local”.
Apesar disso, o Semasa destaca que seguirá monitorando o estabelecimento para verificar possíveis infrações.
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