Alerta Com taxa de 16,02 óbitos por 100 mil habitantes, município fica atrás apenas de São Vicente; Santo André e Diadema aparecem no top 20
FOTO: Celso Luiz/DGABC

São Bernardo está entre as cidades mais letais no trânsito entre municípios com mais de 300 mil habitantes no Estado. Dados recentes do Infosiga, sistema de monitoramento do governo estadual gerenciado pelo Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo), indicam que a cidade registrou 130 mortes no período de 12 meses, entre abril de 2025 e abril de 2026. A taxa é de 16,02 óbitos por 100 mil habitantes, o que coloca o município na segunda posição do ranking, atrás apenas de São Vicente, no Litoral paulista, que soma 56 mortes e taxa de 17,13.
Outros municípios do Grande ABC figuram entre as 20 cidades mais mortais de São Paulo. Santo André ocupa a 19ª posição, com 71 mortes e taxa de 9,39 por 100 mil habitantes. Diadema aparece na 16ª colocação, com 39 óbitos e índice de 9,98. Mauá está na 25ª posição, última posição do ranking, com 33 mortes e taxa de 7,94.
Apesar de registrar um número total de óbitos (1.045 mortes) muito superior ao de municípios que aparecem nas primeiras posições do ranking, a Capital ocupa apenas a 21ª posição, com taxa de 9,17 por 100 mil habitantes. O levantamento considera a proporcionalidade das mortes em relação à população.
No município de São Bernardo, na Avenida Lions, uma das principais vias de acesso ao Km 16 da Rodovia Anchieta, também foi registrada alta no número de acidentes, que passaram de 35 (sem óbitos) para 44 (crescimento de 25,7%), incluindo uma morte no período de março de 2025 a fevereiro de 2026.
Em relação ao Km 16, a Prefeitura pontuou, no mês passado, que “a obra realizada durante a gestão do prefeito Orlando Morando (MDB) não trouxe melhorias para o trânsito da região. Pelo contrário, agravou o fluxo e ocasionou aumento de acidentes.”
Para a advogada Flavia Vegh Bissoli, especialista em gestão e legislação de trânsito, o crescimento das mortes reflete uma combinação de fatores que vêm se intensificando simultaneamente. “Excesso de velocidade, uso do celular ao volante e desatenção, aliados ao aumento da frota, especialmente de motocicletas, e a falhas na fiscalização e na engenharia viária, ajudam a explicar o cenário.”
A especialista destaca que o perfil da frota também tem impacto direto nos índices. “Principalmente pelo crescimento expressivo das motocicletas. Em levantamentos recentes, os motociclistas já representam parcela significativa das vítimas fatais, o que demonstra o impacto direto desse tipo de veículo nos índices de mortalidade. Além disso, o aumento de serviços por aplicativo intensifica a circulação urbana e a exposição ao risco, especialmente sob pressão de tempo.”
Há ainda um padrão entre as vítimas. “Predominância de homens jovens. Dados recentes mostram uma mudança no perfil das vítimas, com concentração crescente entre adultos jovens, especialmente na faixa etária de 25 a 29 anos, além de forte presença entre 20 e 34 anos. Também há maior incidência em motociclistas e em períodos noturnos e finais de semana, o que reforça a relação com comportamento de risco, como velocidade excessiva e consumo de álcool.”
AÇÕES
Entre as medidas imediatas, a especialista em trânsito aponta a necessidade de ações mais direcionadas. “Os municípios precisam atuar com base em dados, identificando vias críticas e pontos de maior incidência de acidentes. A partir disso, devem intensificar a fiscalização, ampliar o uso de radares, melhorar sinalização e iluminação e readequar a engenharia viária.”
Na região, as prefeituras intensificam as ações educativas e de conscientização durante o Maio Amarelo, com foco em motoristas, motociclistas, pedestres e estudantes, além de atividades em escolas e abordagens nas ruas. As iniciativas incluem distribuição de materiais informativos, orientações sobre comportamento seguro e atividades pedagógicas.
Questionada sobre a alta de óbitos no trânsito, a Prefeitura de São Bernardo não respondeu até o fechamento desta edição.
Conscientização não é só em maio
O aumento dos índices de mortalidade na região surge como um contraponto durante o período do Maio Amarelo, campanha internacional voltada à conscientização sobre a segurança no trânsito.
Para a advogada Flavia Vegh Bissoli, especialista em gestão e legislação de trânsito, a mobilização é relevante, mas insuficiente se isolada. “As campanhas como o Maio Amarelo são importantes para colocar o tema em evidência e provocar reflexão na sociedade. No entanto, é preciso fazer uma crítica necessária, não podemos tratar a segurança viária como uma pauta de apenas um mês.”
O período precisa ser um ponto de partida, não um ponto isolado, conforme destaca a especialista. “Segurança no trânsito deve ser tratada como política pública permanente, com educação contínua, fiscalização efetiva e planejamento baseado em dados. Estamos diante de uma verdadeira epidemia de sinistros de trânsito, que exige atuação constante ao longo de todo o ano.”
“O Brasil vive números que se aproximam de um cenário de guerra no trânsito, com milhares de mortes todos os anos. Isso não é pontual, é estrutural.”
Flavia acredita que o trânsito deve ser lidado como uma questão de saúde pública. “Não se trata apenas de mobilidade, mas de preservação de vidas e responsabilidade coletiva.”
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