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Pensava em quando ele iria parar de bater, diz enfermeiro agredido em UPA

Profissional da unidade do Demarchi sofreu fratura na face; vítima afirma que agressor continuou os golpes mesmo após cair no chão

06/05/2026 | 23:04
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FOTO: Reprodução/Redes Sociais
FOTO: Reprodução/Redes Sociais Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


O enfermeiro Flávio Vieira da Veiga, 47 anos, ainda tenta entender a sequência de agressões que sofreu dentro da UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Demarchi/Batistini, em São Bernardo, na noite desta terça-feira (5). Internado no HU (Hospital de Urgência) do município, ele afirmou ao Diário que, durante o espancamento, chegou a pensar que o ataque não cessaria. “Eu só pensava em que hora ele iria parar de bater”, relatou o profissional.


Segundo o BO (Boletim de Ocorrência), o acusado das agressões é o motoboy Reginaldo Ferreira, 36, que teria invadido o consultório exigindo prioridade no atendimento à irmã.  Após o ataque, o suspeito fugiu da unidade, mas foi localizado por equipes da Romu (Ronda Ostensiva Municipal) e levado ao 3º DP (Distrito Policial) de São Bernardo. Ele foi autuado por lesão corporal e responderá ao processo em liberdade.

O enfermeiro contou que realizava o atendimento quando avisou ao homem que chamaria a paciente em poucos minutos, assim que finalizasse o procedimento em andamento. De acordo com ele, o agressor saiu da sala, mas retornou logo em seguida e o puxou pelo braço com força. “A única coisa que eu fiz foi tirar o braço da mão dele e afastá-lo. Foi aí que ele começou a me bater”, afirmou.


Os socos atingiram principalmente a cabeça e o rosto da vítima que permanece internada aguardando avaliação. “Fiz a tomografia e constatou uma fratura no osso do nariz. Estou aguardando a avaliação do bucomaxilo para saber se vai precisar operar ou se o tratamento será conservador”, explicou.

DGABC

O enfermeiro relatou que, após os primeiros golpes, ficou desorientado. Uma técnica de enfermagem e um usuário que aguardava atendimento conseguiram interromper as agressões. “Eu caí no chão e cobri a cabeça, mas mesmo assim ele continuou batendo. Se não tivesse ninguém para tirar ele de cima de mim, eu não sei o que poderia ter acontecido”, disse.


Abalado, o profissional que trabalha há 22 anos na área e há quatro na unidade do Demarchi, afirmou que ainda não conseguiu processar emocionalmente o episódio e que avalia o futuro na unidade de saúde. “Mentalmente ainda estou meio anestesiado. Vou esperar tudo isso acalmar para entender como eu vou ficar”, relatou.


A vítima também revelou que já havia sofrido outro episódio de ameaça dentro da mesma unidade em 2025. Segundo ele, situações de tensão e agressividade contra profissionais da saúde têm se tornado frequentes.


Em nota publicada nas redes sociais, o Coren-SP (Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo) repudiou o caso e afirmou que acompanha permanentemente episódios de violência contra profissionais da enfermagem.

Nesta quarta-feira (6), o prefeito de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos), visitou o enfermeiro no hospital. Em vídeo publicado nas redes sociais, o prefeito repudiou o episódio. “Não vamos permitir que a raiva e o ódio destruam o trabalho que vem sendo feito na nossa cidade”, pontuou o prefeito.

Segundo o chefe do Executivo, o agressor recebeu multa equivalente a três salários mínimos, no valor de R$ 4.863, conforme legislação aprovada neste ano pela Câmara. A norma prevê penalidades para casos de violência contra profissionais da saúde, podendo chegar a R$ 10 mil em episódios de reincidência.

OUTROS CASOS

Em julho do ano passado, uma médica também foi atacada por uma paciente durante o plantão na UPA Alvarenga, em São Bernardo, resultando no uso do botão de pânico e deslocamento de agentes da GCM. De acordo com relatos da própria profissional e de testemunhas, o episódio ocorreu após a recusa na emissão de atestado. Logo depois do caso, o CIMGE (Centro Integrado de Monitoramento e Gerenciamento de Emergências), no Paço Municipal, incorporou, no mês seguinte, cerca de 800 câmeras existentes nos equipamentos de saúde.


Ainda no Grande ABC, outro caso semelhante ocorreu na UPA Perimetral, em Santo André, no dia 31 de outubro de 2025, e envolveu um paciente que estava agressivo desde o início do atendimento. Segundo nota oficial da Prefeitura, ele chegou à unidade com queixas de formigamento nas mãos e cefaleia e tentou agredir a equipe médica enquanto recebia medicação.




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