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Complexo de Saúde ultrapassa 2.300 atendimentos na primeira semana

Cuidar concentra serviços voltados ao neurodesenvolvimento e à reabilitação motora dos pacientes

10/05/2026 | 10:42
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André Henriques/DGABC
André Henriques/DGABC Diário do Grande ABC - Notícias e informações do Grande ABC: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra


Inaugurado pela Prefeitura de São Caetano em 25 de abril, o Cuidar (Complexo Unificado de Inclusão, Desenvolvimento, Apoio e Reabilitação) Jorge Martins Salgado ultrapassou a marca de 2.300 atendimentos realizados nos primeiros dias de funcionamento. 

Entre 27 de abril e 6 de maio, o novo equipamento da rede municipal passou a concentrar, em um único espaço, serviços voltados ao neurodesenvolvimento e à reabilitação motora, reunindo atendimentos antes fragmentados em diferentes unidades da cidade.

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Segundo a secretária municipal de Saúde, Adriana Berringer, o conceito do equipamento surgiu da necessidade de unificar estruturas que funcionavam separadamente. “A integração das diversas especialidades traz um ganho gigante para o paciente. Os serviços fragmentados dificultavam o acesso dos pais e dos usuários e também a troca de experiências entre a equipe.”.

Entre os novos serviços incorporados à rede municipal estão terapia canabinoide, fisiatria, hidroterapia, tratamento intervencionista para dor crônica e ambulatório de seletividade alimentar. A estrutura também conta com fisioterapeutas especializados em terapia aquática, voltada principalmente para crianças em estimulação precoce, pacientes com deficiência intelectual e pessoas com quadros crônicos.

“A hidroterapia é um serviço que não tinhamos no município. Já começamos as triagens e temos pacientes frequentando a piscina. A gente pretende chegar a 110 atendimentos por semana”, destacou Adriana.

Outro avanço citado pela gestão é a criação do ambulatório de dor crônica, para conduzir projetos terapêuticos voltados à reabilitação física. “Antes, muitos pacientes faziam fisioterapia e a dor crônica continuava. Hoje temos fisiatras dando esse suporte e novos equipamentos, como as ondas de choque”, afirmou.

Para a diretora administrativa do Cuidar, Nelize Dahmen, a recepção das famílias tem sido positiva desde os primeiros dias. “Os atendimentos estão acontecendo muito bem, e a recepção dos pacientes tem sido excelente. Eles estão encantados com o ambiente. A unificação dos serviços ocorre de forma positiva, com boa receptividade tanto dos funcionários quanto dos pacientes”, destacou.

A dona de casa Hellen Cristina Andrella, 44 anos, acompanha de perto essa mudança. Mãe de Miguel Andrella Trasferetti Perez, 7, ela relata que o filho faz acompanhamento há cerca de quatro anos na rede municipal por conta do diagnóstico de TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e dificuldades motoras.

“Trouxe ele para o SUS (Sistema Único de Saúde) de São Caetano e foi a melhor coisa que fiz. Em três meses comecei a perceber a mudança no Miguel. Na saúde privada, depois de mais de um ano, não via evolução”, contou.

A porta de entrada para os atendimentos do Cuidar passa pelas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) do município. 

A mãe também elogiou a nova estrutura do complexo. “Achei que ficou muito melhor. Tem salas interativas, piscina para terapia com um espaço muito completo. O Miguel entrou aqui e adorou tudo”, relatou.

Antes da inauguração do Cuidar, Miguel passou pela Fundação Anne Sullivan, instituição que atendia crianças e jovens com deficiência e teve suas atividades encerradas em 2023.

Segundo Hellen, o menino apresentou avanços no desenvolvimento motor e no comportamento após iniciar o acompanhamento multiprofissional. “Ele era muito agitado, tinha dificuldade para escrever, comer sozinho e tomar decisões. Hoje ele tem mais autonomia e iniciativa”, disse.

Envelhecimento ativo e o combate ao isolamento

Com foco na promoção da qualidade de vida da população idosa, São Caetano mantém sete unidades dos Cises (Centros Integrados de Saúde e Educação). Os espaços, coordenados pela Comtid (Coordenadoria Municipal da Terceira Idade), oferecem atividades físicas, culturais e esportivas, além de acompanhamento especializado para moradores com 60 anos ou mais.

Os Cises se transformaram em pontos de encontro para idosos que buscam manter a autonomia, a saúde física e mental. É o caso de Marco Antônio Lopez Zampack, 62 anos, morador do bairro Jardim São Caetano, que frequenta a unidade João Nicolau Braido há três anos.

Zampack começou participando das aulas de musculação no período diurno e, atualmente, também pratica pilates e participa das atividades de xadrez. “O Cise representa amizade, convivência, harmonia e apoio. É um lugar onde podemos manter a mente ativa, trocar experiências e conhecer pessoas”, afirmou.

Segundo a coordenadora da Comtid, Lucila Lorenzini, o principal objetivo dos Cises está ligado à prevenção e à promoção da saúde. Ela explica que, embora os centros contem com atendimentos especializados, como geriatria, fisioterapia, psicologia, enfermagem, terapia ocupacional e nutrição, o foco principal é garantir qualidade de vida.

Lucila ressalta ainda que o trabalho desenvolvido nas unidades vai além da área da saúde e envolve integração com outras políticas públicas do município. “Não adianta atuar apenas na saúde. Precisamos ter ações voltadas ao esporte, lazer, cultura, educação e assistência social. E o Cise faz esse papel importante de integração dessas ações”, destacou. 

Do início do SUS na cidade até a tecnologia que integra as unidades

Em São Caetano, a organização da rede pública de saúde acompanhou as transformações iniciadas nacionalmente com a criação do SUS (Sistema Único de Saúde). 

No começo da década de 1990, a estrutura municipal ainda era limitada e centralizava os atendimentosos no Pronto-Socorro Municipal, no Centro de Saúde estadual localizado no Centro e no Hospital Infantil Municipal, que à época ainda não realizava partos. Os atendimentos obstétricos eram realizados por meio da rede conveniada, principalmente no Hospital Beneficência Portuguesa de São Caetano.

Nas últimas décadas, a cidade passou a consolidar uma rede composta por 43 equipamentos públicos de saúde, incluindo 14 UBSs (Unidades Básicas de Saúde), cinco hospitais e 24 centros especializados.

Em outubro de 2025, o Paço implementou o Smart Sanca Saúde, sistema digital que monitora em tempo real todos os equipamentos da rede municipal. A tecnologia exibe informações detalhadas sobre tempo de espera, origem dos pacientes, faixa etária, sexo, principais diagnósticos, fluxo de atendimentos e casos de lotação acima da capacidade. 

Como funciona para quem é de outro município?

Diariamente, a rede pública de saúde de São Caetano recebe pacientes de outras cidades. Ao mesmo tempo, o município mantém parte da estrutura organizada prioritariamente para moradores locais, sobretudo na atenção básica e em consultas especializadas.

Mesmo com uma estrutura ampla para o menor município do Grande ABC, com 165.655 habitantes, a rede de urgência atende a uma demanda regional significativa. 

Segundo dados da Prefeitura, aproximadamente 60% dos atendimentos realizados na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) Engenheiro Julio Marcucci Sobrinho são de moradores de fora da cidade. Na rede hospitalar, 16,8% dos atendimentos também são destinados a pacientes externos, principalmente em casos de urgência e emergência.

A secretária de Saúde, Adriana Berringer, explica que a cidade não restringe atendimentos de emergência, mas precisa organizar a atenção básica e especializada com foco na população local para garantir continuidade e planejamento da rede. 

A estratégia, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, busca equilibrar a capacidade de atendimento da cidade com o modelo de territorialização previsto pelo Ministério da Saúde, permitindo acompanhar de forma mais próxima os indicadores de saúde da população.

“No atendimento de urgência e emergência, não temos nenhum tipo de discriminação, nem podemos ter. Já as UBSs (Unidades Básicas de Saúde) são todas montadas em cima de territorialização, ou seja, preciso conhecer o meu território”, explicou.

A secretária também destaca que os valores recebidos pelo município são calculados com base na quantidade de moradores, o que influencia diretamente na capacidade de expansão dos serviços especializados.

Em 2025, São Caetano alcançou o primeiro lugar nacional no pilar Qualidade da Saúde do Ranking de Competitividade dos Municípios, elaborado pelo CLP (Centro de Liderança Pública). O município também possui o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País. 

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