'Diário' 68 anos Expressão saiu pela primeira vez em julho de 1967, no rodapé de coluna de política do ‘News Seller’
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Fundado em 1968, o Diário nasceu com a missão de fortalecer a regionalidade e consolidar a identidade coletiva do Grande ABC. Desde seus primeiros anos de circulação, ainda sob o nome News Seller, o jornal compreendeu que o desenvolvimento da região dependia não apenas do crescimento individual de cada município, mas da construção de um sentimento de pertencimento entre as cidades que compartilhavam história, economia e desafios comuns.
Ao acompanhar de perto processos decisivos, como as emancipações de Diadema, em 1959, e de Rio Grande da Serra, em 1964, o jornal registrou e ajudou a consolidar a formação das sete cidades que compõem o Grande ABC. Mais do que narrar acontecimentos políticos, o Diário atuou como agente de integração regional, reforçando a ideia de que a união dos municípios era fundamental para ampliar sua força política, econômica e social diante do Estado e do País.
Foi nesse cenário de transformação política e urbana que nasceu um marco histórico: a primeira utilização da expressão “Grande ABC”. Em 2 de julho de 1967, o termo apareceu discretamente no rodapé de uma coluna política do próprio jornal, em uma nota que tratava da criação das áreas metropolitanas e mencionava o então emergente Grande ABC dentro do contexto da expansão da Grande São Paulo. Embora tímida, aquela referência representou o início da construção de uma identidade regional que, pouco tempo depois, ganharia força e reconhecimento.
Com a criação oficial do Diário, em 1968, a expressão deixou de ser apenas uma menção ocasional para se tornar elemento central do discurso público regional. O jornal teve papel fundamental na consolidação e difusão do nome “Grande ABC”, incorporando-o de forma contínua em reportagens, editoriais e campanhas. Essa atuação editorial foi decisiva para transformar a percepção da região: de um simples conjunto de cidades vizinhas para um bloco articulado, unido por desafios, interesses e objetivos comuns.
A influência dessa construção ultrapassou o noticiário e passou a ser adotada por instituições públicas e privadas, como o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, o Observatório de Políticas Educacionais do Grande ABC e o Lide Grande ABC, consolidando definitivamente a ideia de integração regional.
Ao mesmo tempo em que fortalecia essa identidade coletiva, o Diário enfrentava suas primeiras batalhas políticas. Em fevereiro de 1968, ainda sob o nome News Seller, o jornal combateu o projeto do regime militar que pretendia incluir o Grande ABC entre as áreas de segurança nacional. A medida retiraria de mais de 230 municípios brasileiros o direito às eleições diretas, ampliando o controle do governo sobre regiões consideradas estratégicas. Caso aprovada, prefeitos passariam a ser nomeados pelo Executivo federal, com respaldo militar, comprometendo a autonomia político-administrativa dos municípios.
Esse posicionamento marcou o início de uma trajetória editorial pautada pela defesa da democracia e da liberdade regional. Entre as campanhas mais emblemáticas conduzidas pelo jornal estiveram a mobilização pela reforma universitária, essencial para ampliar o acesso ao ensino superior no Grande ABC, e a defesa da autonomia municipal durante o período de endurecimento do regime militar.
O clima de tensão política ficou evidente em 9 de maio de 1968, quando o recém-lançado Diário estampou sua primeira manchete: “Prisão de sacerdotes agita círculos católicos da região”. A publicação simbolizou o tom crítico e vigilante que passaria a caracterizar a atuação do jornal nas décadas seguintes.
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