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Importância do teste ocular em bebês

Jochen Kumm
27/07/2026 | 09:31
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Nos primeiros dias de vida de um bebê, testes como o do pezinho, da orelhinha e coraçãozinho já fazem parte do vocabulário e das expectativas dos pais. Porém, quando o assunto é a visão dos recém-nascidos, o Brasil ainda enfrenta um apagão de conscientização que coloca em risco o futuro de milhares de crianças, com a maioria das famílias ainda desconhecendo os benefícios do teste do olhinho ampliado.

O teste do olhinho tradicional, realizado rotineiramente nas maternidades por meio do reflexo vermelho, é um primeiro passo fundamental, mas limitado. Ele avalia se o eixo visual está livre, mas não consegue enxergar a periferia da retina. É aí que a tecnologia do exame ampliado se torna um divisor de águas, permitindo uma fotografia em alta resolução e em 130 graus do fundo do olho do bebê.
 

A urgência dessa discussão ganhou os holofotes da opinião pública nos últimos anos devido a casos severos e midiatizados de retinoblastoma, tumor ocular maligno que atinge crianças pequenas. Infelizmente, a história se repete em consultórios de todo o País: diagnósticos tardios de tumores, malformações ou infecções congênitas que culminam na perda irreversível da visão pela falta de detecção precoce. O erro trágico da nossa sociedade não está na ausência de tecnologia para salvar esses olhos, mas no fato de a informação não chegar a tempo aos pais.

Dados acumulados pela triagem neonatal trazem alerta quantitativo que não pode ser ignorado. Cerca de 5% dos bebês submetidos ao teste do olhinho ampliado apresentam algum tipo de alteração ou anomalia. É verdade que a maior parte desses achados consiste em quadros que podem se curar sozinhos, como hemorragias retinianas leves decorrentes do esforço do parto. Porém, a medicina não pode trabalhar com o palpite. Cada uma dessas anomalias exige acompanhamento rigoroso para garantir que o quadro não evolua para uma condição grave ou comprometa o desenvolvimento cognitivo da criança, que depende diretamente de estímulos visuais saudáveis nos primeiros meses de vida.

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O mercado de saúde infantil no Brasil está diante de um ecossistema completamente novo. Implementar e democratizar o acesso ao exame ampliado vai além de comercializar dispositivos; exige um esforço hercúleo de educação de base. É preciso munir pediatras, oftalmologistas e obstetras com evidências clínicas e desmistificar o procedimento para as famílias, mostrando que se trata de um mapeamento rápido, seguro e indolor.
 

Garantir que um recém-nascido enxergue o mundo com clareza é um compromisso que começa antes mesmo de ele aprender a focar o olhar. Permitir que uma inovação capaz de prevenir a cegueira infantil permaneça no anonimato é um luxo que a saúde brasileira não pode se dar. Trazer o teste do olhinho ampliado para o centro do debate de rotina do pré-natal é, antes de tudo, proteger o direito ao futuro de uma nova geração.

Jochen Kumm é CEO da Baby Vision Care.

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