Cheiro de mofo? Como proteger a casa da umidade após recorde de chuvas
Piso que não seca, roupas úmidas, paredes molhadas e mofo estão entre os problemas quando o tempo fechado se prolonga
FOTO: Divulgação

“Volta, sol.” “Alguém sabe onde ele foi parar?” Depois de dias seguidos de chuva, pedidos bem humorados por algumas horas de céu aberto aparecem nas conversas e nas redes sociais. Nos grupos de moradores, porém, a brincadeira divide espaço com outro tipo de mensagem: “a parede do quarto amanheceu molhada”, “apareceu mofo atrás do armário”, “mais alguém está com esse problema?”.
O tempo fechado muda também a rotina doméstica. O chão demora mais a secar, marcas de sapato se multiplicam, toalhas permanecem úmidas, a roupa se acumula no varal e aquele cheiro de guardado começa a surgir nos ambientes menos ventilados.
Nas últimas semanas, diferentes regiões do país enfrentaram chuva intensa. No Paraná, ocorrências relacionadas ao mau tempo registradas desde 9 de setembro haviam afetado 21.107 pessoas em mais de 70 municípios até 14 de setembro, segundo balanço da Defesa Civil estadual. Em São Paulo, a estação do Mirante de Santana acumulou 253,8 milímetros nos primeiros 14 dias do mês, cerca de três vezes a média climatológica de setembro, de 83,3 milímetros. O volume superou o recorde anterior para o mês, de 243,1 milímetros, registrado em 1983.
E o guarda chuva ainda não pode ser aposentado. Para a semana de 14 a 21 de setembro, o INMET (Instituto Nacional de Meteorologia) prevê os maiores acumulados no Sul e Sudeste. Áreas do Paraná, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro podem superar 100 milímetros.
Quando o sol demora a reaparecer, um dos primeiros lugares a entregar a mudança é o chão. Sapatos molhados, guarda chuvas, barro e patas dos animais levam água e sujeira para casa. A reação de usar mais água na limpeza, porém, pode dificultar a secagem. “Em dias chuvosos, o principal cuidado é não encharcar o piso. Primeiro, é preciso retirar a sujeira trazida da rua e usar pouca água. Em superfícies compatíveis, produtos à base de álcool podem ajudar por evaporarem mais rapidamente, mas é importante verificar a indicação para cada revestimento. O que funciona em um pode danificar outro”, explica José Roberto Campanelli, diretor da Mary Help.
Alguns hábitos ajudam a conter o problema já na entrada. Capachos e um espaço para deixar calçados e guarda chuvas molhados reduzem a água levada aos outros cômodos. Para quem tem animais, secar patas e pelos antes que eles circulem pela casa evita aquela coleção de pegadas pelo chão recém limpo.
O desafio não termina ali. Toalhas, panos, roupas e tapetes que demoram a secar passam mais tempo expostos à umidade. “Nos intervalos sem chuva, abrir portas e janelas ajuda a renovar o ar, especialmente em banheiros, quartos e áreas com pouca incidência de sol”, pontua Campanelli.
Armários fechados também sentem os efeitos dos dias úmidos. Sempre que houver uma trégua na chuva, deixar as portas abertas por algum tempo ajuda o ar a circular. Roupas devem estar completamente secas antes de serem guardadas e, em locais mais sujeitos à umidade, desumidificadores próprios para armários podem ajudar a absorver o excesso. Evitar peças muito apertadas e deixar algum espaço entre o móvel e paredes úmidas também favorece a ventilação e reduz aquele conhecido cheiro de guardado.
Se o mofo já apareceu, a primeira providência é afastar móveis da parede e favorecer a circulação de ar no local. A limpeza deve ser feita sem encharcar a superfície e só vale guardar roupas ou encostar novamente os móveis quando tudo estiver completamente seco.
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