Prefeitos almejam ajuda dos deputados de outras regiões
Com apenas um parlamentar do Grande ABC eleito, prefeitos falam em criar frente ampla
Especial para o Diário
Arquivo/DGABC

A eleição de apenas um deputado federal com domicílio eleitoral no Grande ABC acendeu o alerta entre os prefeitos da região. A aposta é na articulação conjunta para ampliar a presença do Grande ABC nas decisões em Brasília. No último dia 4, somente o ex-prefeito de Santo André Paulo Serra (PSDB) conquistou cadeira na Câmara Federal. Para a legislatura que se encerra neste ano foram eleitos quatro parlamentares da região.
Em entrevista ao Diário, o tucano manifestou a intenção de visitar os sete prefeitos e colher propostas para a elaboração de um Plano Diretor do Grande ABC, medida que é recebida com ressalvas pelos gestores municipais.
Guto Volpi (PL), prefeito de Ribeirão Pires e presidente do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, apoiou a proposta, mas reivindicou protagonismo para o colegiado, que já discutia a elaboração de um plano regional. “É uma ideia que nasceu no Consórcio Intermunicipal, um Plano Diretor regional. Fico feliz que ele encampe essa iniciativa e que a gente possa ter isso na prática”, disse.
Gilvan Ferreira (Cidadania), prefeito de Santo André, também lembrou que a entidade já possui planos para áreas como drenagem, infraestrutura e segurança. A intenção, segundo o andreense, é apresentar esse material aos parlamentares eleitos para que conheçam as prioridades do Grande ABC e possam ajudar a viabilizar recursos.
Tite Campanella (Republicanos), prefeito de São Caetano, e Taka Yamauchi (MDB), chefe do Executivo de Diadema, disseram que pretendem analisar o conteúdo da proposta de Paulo Serra antes de formalizar apoio. A adesão, portanto, dependerá do formato e das medidas apresentadas.
SOMENTE UM
Sobre o fato de ter apenas um deputado federal com domicílio eleitoral do Grande ABC, os prefeitos falam em ampliar o relacionamento com parlamentares de outras regiões. “Todos aqueles que quiserem somar forças, vamos estar de portas abertas para construir ao Grande ABC”, declarou Gilvan, que também é vice-presidente do Consórcio Intermunicipal.
Guto Volpi reconheceu o peso da perda de representantes locais em Brasília, mas avaliou que a aproximação com lideranças estaduais e federais pode abrir espaço para as demandas regionais. “É possível ter esse apadrinhamento da região. É o quarto maior PIB do Brasil, uma região importante para que seja priorizada”, afirmou.
Tite Campanella ponderou que emendas são importantes, mas não substituem a defesa das demandas da população. “Deputado de emenda não é o representante que a população espera. A população espera um deputado que fale, que manifeste, que verbalize aquele anseio que o morador da nossa região tem”, pontuou.
À frente do Paço de São Bernardo, Marcelo Lima (Podemos) espera que deputados eleitos com votação expressiva na cidade, mesmo sem residir no município, destinem recursos e defendam a região.
Segundo o podemista, ter votos no Grande ABC não significa, necessariamente, retorno em investimentos, como se viu com os eleitos no último pleito. “Teve deputado eleito por São Bernardo que em um ano e nove meses não me mandou uma moeda. O recado foi dado pela população. Agora cabe a nós prefeitos conversarmos com esses deputados eleitos com votos na região, que tenham compromisso. Depois das urnas, não importa onde o parlamentar mora. Precisarão ter compromisso com os eleitores deles”, afirmou.
Taka ressaltou a importância de ampliar a representatividade regional e avaliou positivamente a possibilidade de articulação entre os municípios. Sobre as propostas apresentadas por Paulo Serra, porém, afirmou “que precisa conhecer melhor o planejamento antes de definir como a cidade poderá participar”.
Outra bandeira de Paulo Serra, o voto distrital misto, é bem avaliada pelos prefeitos. Gilvan declarou ser favorável ao modelo, por considerar importante combinar a representação ideológica com a territorial. Volpi também apoiou a proposta, enquanto Taka preferiu aguardar mais informações.
Os prefeitos de Mauá, Marcelo Oliveira (PT), e de Rio Grande da Serra, Akira Auriani (PSB), não retornaram os contatos da reportagem.
Colaborou Wilson Guardia
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